A Realidade

Realidade é palavra de origem latina, derivada de res e realis, significando coisa, ou tudo o que existe. Uma coisa é, para nós, a ideia que fazemos dela. A coisa genérica e indeterminada passa ser outra quando definida, identificada por suas qualidades. Tudo com o que nos relacionamos no mundo está ligado a um conceito ou ideia, por meio de que lemos e interpretamos os fenômenos.

Na maioria das vezes a ideia está inconscientemente ligada à coisa a que ela se refere. Quando vemos um gato, ou uma porta, automaticamente usamos a ideia de gato e porta que formamos ao longo da vida, e como normalmente não nos lembramos da formação da ideia, esquecemos que ela existe, não percebendo a associação da ideia ao que nos é mostrado pelos sentidos, não notando a formação mental da realidade, que é praticamente automática. Podemos simplesmente pensar em gato ou porta, ou em um gato específico, Garfield, ou uma porta determinada, a deste cômodo, dando mais concreção à ideia. A ideia pode se referir a coisas que já existem, que vão existir ou que ficam apenas nos pensamentos.

Nossa percepção e entendimento das coisas, portanto, depende da ideia que fazemos delas, depende de um mapa mental consciente ou implícito que possuímos para a lida diária com os fenômenos, especialmente das relações e conexões entre os eventos e coisas à nossa volta. A maioria das pessoas costuma, em determinado momento da vida, na infância ou adolescência, simplesmente parar de atualizar seu mapa mental, cristalizando-o em preconceitos rígidos.

O mapa mental da realidade está ligado a uma ordem ou concepção de mundo, uma cosmovisão, em que as coisas possuem relações umas com as outras, dando sentido ao que vemos. Realidade, assim, está ligada a sentido, a interpretação ou hermenêutica das coisas, dos fenômenos, do mundo.

Os fatos são sua correta interpretação. O louco é aquele com dificuldade de interpretar adequadamente os fatos, confundindo pensamentos apenas individuais com fenômenos comuns às demais pessoas.

A ciência atual é eminentemente reducionista, pelo que o sentido das coisas é limitado a campos específicos da realidade, sem ligação com os demais. As ciências são individuais e, de certa forma, loucas.

Segundo a ciência cartesiana que domina o mundo, a realidade é a coisa extensa, a coisa material, ou res extensa, que é independente da ideia que fazemos dela, pois as ideias pertencem ao mundo imaterial, da res cogitans. Para a visão cartesiana, a res extensa e a res cogitans não se comunicam e a única realidade, pela ciência atual, é aquela percebida pelos sentidos. Nada mais falso.

Aquele que vive eternamente criou todas as coisas juntas” (Ecl, 18, 1).

Todas as coisas estão juntas, ideias e fenômenos, sendo os fenômenos o que entendemos dos fenômenos. E todas as coisas estão juntas porque as relações conceituais e as razões e proporções das coisas também somente podem ser entendidas em conjunto. Cada coisa está ligada a outra, e outra, e outra, até que tudo se relacione. Gato é animal, uma espécie do ser que se movimenta, se alimenta de outros seres, que nasceu de outro gato, e toma leite, que também é produzido pela vaca, cuja carne nos fornece alimento, e que precisamos como fonte de energia, como a luz do sol que aquece o planeta, decorrente de reações nucleares, o que nos permite viver e produzir, alterando as coisas do mundo, como conjunto de todas as ideias, etc.

A divisão da realidade em áreas de conhecimento somente é válida se essas áreas forem novamente reunidas em um todo orgânico e coerente, porque todas as coisas estão juntas, como nos informam a Bíblia, a orgânica quântica e a relatividade, aquela física pela unidade total do cosmos e esta pela existência de um suposto contínuo espaço-tempo. A filosofia antiga, antes de Descartes também era assim.

Não só a física indica a unidade da existência, pois pelo espaço-tempo o Big Bang é agora, sendo o tempo uma percepção humana, como também pelo conhecimento filosófico se chegou a essa mesma conclusão em Martin Heidegger, no âmbito da coisa pensante (In Ser e tempo. Tradução Fausto Castilho. Campinas: Editora Unicamp; Petrópolis: Editora Vozes, 2012, pp. 169/171):

Mas essas determinações-de-ser do Dasein devem ser vistas e entendidas agora a priori sobre o fundamento da constituição-de-ser que denominamos ser-em-o-mundo. O ponto de partida adequado para a analítica do Dasein reside na interpretação dessa constituição.

A expressão composta ‘ser-no-mundo’ já mostra em sua configuração, que com ela é visado um fenômeno unitário. (…)

Com esse termo (ser-em) é designado o modo-de-ser de um ente que está ‘em’ um outro ente, como a água ‘no’ copo, a roupa ‘no armário’. Com o ‘em’, pensamos a recíproca relação-de-ser de dois entes extensos ‘em’ o espaço relativamente a seu lugar nesse espaço”.

Mas minha ideia não se limita à preocupação com meu corpo físico e seu fim temporal, e esse é o erro filosófico de Heidegger, na medida em que a realidade mental e do pensamento está além da própria pessoa, pois o pensamento da pessoa pode passar à comunidade, como Sócrates, que não se preocupava apenas com a própria morte, que teve suas ideias desenvolvidas por Platão, e depois Aristóteles numa linha que permanece aberta, para um futuro indefinido. Além disso, a realidade une mente e matéria, não sendo possível a separação absoluta decorrente da filosofia cartesiana.

Se todas as coisas estão juntas, cada parte integra o todo, que é o fenômeno unitário do Ser. A geometria fractal é de grande valia para entender a realidade, em que microcosmos são criados a partir do macrocosmos. Aliás, essa é a verdadeira compreensão da ideia de Pai, Filho e Espírito Santo, em que o Pai é sempre o Todo maior, o Filho o Todo menor, como o Homem e/ou a Humanidade (esta tida como um todo maior que o homem), e o Espírito Santo a adequação do Todo Menor ao Todo Maior, como ocorre no princípio holográfico, a razão ou proporção que liga a Parte ao Todo, dando coerência e sentido à relação, Unidade – Eu e o Pai somos Um.

O Filho é causado pelo Pai, pela causalidade top-down, aquela em que a totalidade causa as partes e as alterações nas partes, como na ordem generativa, em que vale a causalidade vertical. O macrocosmos gera o microcosmos, e nesse aspecto Jesus é tanto microcosmos, como homem perfeito, imagem perfeita do Pai, de Deus, do Cosmos, como Macrocosmos, como Jesus, para nós, é também macrocosmos, como imagem da humanidade, da qual somos microcosmos.

David Bohm e David Peat, no livro “Ciencia, Orden Y Creatividad – Las raíces creativas de la ciencia y la vida”, Kairós, Barcelona, 4 ed. 2007, falam da ordem generativa ou gerativa, que é aquela em que os detalhes da natureza são gerados a partir de uma totalidade maior, de forma semelhante aos fractais. Dizem eles que “las formas más complejas de la naturaleza parecen generarse a través de adiciones sucesivas de detalles más y más pequeños” (p. 177), o que, numa tradução livre, significa que as formas mais complexas da natureza são formadas pela adição sucessiva de detalhes menores, fazendo os autores a comparação com o pintor, que pensa o quadro como um todo e faz o seu trabalho partindo de traços gerais até chegar aos menores detalhes.

Eles dizem que o mesmo ocorre na ciência, que depende de uma percepção geral da realidade, até a especificação das formas, e é a criatividade do cientista individual que leva à nova percepção geral da realidade, como Sócrates, Jesus Cristo, Copérnico, Newton, Hegel, Einstein, Jung, David Bohm etc.

A ordem generativa também está presente na comunicação, em que “el significado se desenvuelve en la totalidad de la comunidad, y de la comunidad pasa a desenvolverse em cada persona. Así, existe una relación interna entre los seres humanos, y entre el indivíduo y la sociedad como un todo” (p. 207). Segundo os autores, o que também se infere de Heidegger, o significado da comunicação está envolvido na estrutura da linguagem, e na comunicação o significado se desenvolve na totalidade da comunidade, e desta passa para cada pessoa, havendo, assim, uma relação interna entre os seres humanos, entre o indivíduo e a sociedade como um todo.

Bohm e Peat concluem dizendo que existe a possibilidade de que “haya básicamente un único orden, cuyo fundamento incluye el holomovimiento, y que pude ir más allá. Este orden se desenvolverá em los órdenes, el de mente y el de materia, los cuales, segun el contexto, tendrán algún tipo de independencia relativa de función. Aun así, a un nivel más profundo son de hecho inseparables y se halla entretejidos, igual que ocurre en el juego de computadora, en el que la pantalla y el jugador están unidos por la participatión en circuitos comunes. Desde este punto de vista, mente y materia son dos aspectos de un todo, y no más separables de lo que lo son forma y contenido” (p. 208). Em tradução livre, dizem que talvez haja basicamente uma única ordem, cujo fundamento inclui o holomovimento, e esta ordem vai se desdobrar nas ordens da mente e da matéria, que, de acordo com o contexto, têm algum tipo de relativa independência funcional. No entanto, em um nível mais profundo são de fato inseparáveis e entrelaçadas, tal como no jogo de computador, no qual a tela e o jogador estão unidos pela participação em circuitos comuns. A partir deste ponto de vista, a mente e a matéria são dois aspectos de um todo, e não mais separáveis do que são forma e conteúdo.

Assim, a realidade é dependente do todo, que condiciona o contexto, unindo mente e matéria como dois aspectos do mesmo todo, em fenômeno unitário.

A interpretação isolada de fatos pode levar a deturpações, uma espécie de loucura, quando interpretações parciais não se adequam à realidade, como na música de Cazuza, “a tua piscina tá cheia de ratos, tuas ideias não correspondem aos fatos, o tempo não para”. O problema é que Cazuza não percebeu que as próprias ideias, quanto ao comportamento sem limites, em hedonismo irresponsável, eram incompatíveis com os fatos, com a vida saudável, levando-o à morte prematura em decorrência da AIDS.

O tempo não para, pois a realidade é o holomovimento, o todo em seu movimento dialético, em que a interpretação deve sempre incluir novos fenômenos. “Mas se você achar que eu tô derrotado, saiba que ainda estão rolando os dados, porque o tempo, o tempo não para”.

Os dados estão rolando, ou seja, há muito conhecimento para ser incluído na filosofia, para que a haja correta interpretação do todo, e a ciência moderna não tem dado conta do recado, não tem atendido com seus métodos parciais às expectativas de coerência que se exige no conhecimento racional. O Direito é a ciência que modernamente une, ou tem a capacidade de unir, os todos parciais, na medida em que todas as relações, da alimentação à produção de bens e armas, são tratadas juridicamente. O Direito regula desde a fertilização até a questão dos possíveis efeitos das ondas eletromagnéticas de antenas de telecomunicação sobre a saúde humana. A questão ecológica é a grande prova da interdependência dos fenômenos, exigindo uma percepção mais ampla da natureza e da realidade. Mas mesmo a ciência jurídica está escravizada ao paradigma cartesiano, num formalismo positivista de um lado e num materialismo egoísta de outro, com individualismos do tipo liberal e sensorial.

A ciência moderna trabalha como na montagem de um quebra-cabeça, mas sem a ideia da imagem a ser formada. Para os que acreditam na Ordem, o Cristianismo indica como é essa imagem, a ideia de tudo interligado, havendo Um só Corpo e Um só Espírito.

Nesse ponto, algumas ideias tidas como retrógradas, como as religiosas, são, na verdade, de certa forma, futuristas. “Eu vejo o futuro repetir o passado, eu vejo um museu de grandes novidades, o tempo não para, não para, não, não para”. A História tem um movimento dialético, e por isso é preciso cuidado, para não repetirmos os erros do passado, pois assim como a crise econômica da década de 1930 levou ao nacionalismo, a atual crise econômica tem levado os países na mesma direção, e o problema de hoje está no fato de que são várias as potências nucleares, e em caso de guerra os princípios e valores humanos infelizmente são esquecidos pelos líderes políticos.

A dialética Hegeliana pressupõe a superação das diferenças e contradições, não sendo uma mera a oposição conflituosa de partes contrárias, ou seja, é necessária uma razão maior que inclua as minhas razões e as razões do outro, e isso foi o que nos mostrou Jesus Cristo, como Logos ou Razão manifestada, incluindo o próximo na mesma dignidade da pessoa, e por isso o outro deve ser amado com a mim mesmo, porque somos Partes do mesmo Todo, a mesma Realidade Única e interligada pela mesma Razão. Segundo Hegel,

A razão é a certeza da consciência de ser toda a realidade: assim enuncia o idealismo o conceito da razão. Do mesmo modo que a consciência que vem à cena como razão tem em si essa certeza imediatamente, assim também o idealismo a enuncia de forma imediata: Eu sou Eu, no sentido de que o Eu para mim é objeto. Não no sentido de objeto da consciência-de-si em geral – que seria apenas um objeto vazio em geral; nem objeto da consciência-de-si livre –, que seria somente um objeto retirado dos outros, que ainda são válidos ao lado dele; mas sim no sentido de que o Eu é objeto, com a consciência do não ser de qualquer outro objeto: é o objeto único, é toda realidade e presença” (In Fenomenologia do Espírito. Tradução de Paulo Meneses. 8 ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2013, p. 172).

Para Hegel, somente o que é racional é real, e assim eu somente sou real enquanto razão, enquanto objeto da Razão, que engloba toda a realidade. Essa Razão de Hegel, que é real, é o próprio Logos, indicando que Deus, ou a Totalidade Racional, é a única realidade, e que somente enquanto integrante dessa realidade, dessa Totalidade Racional, enquanto movimentado pela Razão Santa, pelo Espírito Santo, o Logos, sou real. O Logos é o Sujeito Universal, do qual somos objeto, e na apenas na medida em agimos com base nesse Logos somos racionais, e também sujeitos da mesma subjetividade, que na verdade é objetiva, porque a única realidade.

Assim, o entendimento da realidade está ligado ao entendimento do Cosmos, da Ordem Total, pela concepção Cristã, como concepção da Razão, com a inclusão da perspectiva científica moderna, incluindo o Direito e a Política, com ‘D’ e ‘P’ Maiúsculos, ligados à ordem social.

A Constituição determina o conteúdo e a interpretação da norma local, e a Realidade Humana, o Logos, determina o conteúdo e a hermenêutica da Constituição. A velha religião, do Antigo Testamento, já era ligada ao conteúdo da Lei, e Jesus Cristo mostrou a natureza humanitária e coletiva da Lei, que direciona todos os comportamentos sociais.

Jesus Cristo diz que para viver no Reino de Deus, na Ordem Total, no Cosmos, é preciso nascer do alto, nascer do Pai, do Todo, ser gerado do alto, do Espírito, da Razão coletiva.

Havia, entre os fariseus, um homem chamado Nicodemos, um notável entre os judeus. À noite ele veio encontrar Jesus e lhe disse: ‘Rabi, sabemos que vens da parte de Deus como um mestre, pois ninguém pode fazer os sinais que fazes, se Deus não estiver com ele’. Jesus lhe respondeu: ‘Em verdade, em verdade, te digo: quem não nascer do alto não pode ver o Reino de Deus’. Disse-lhe Nicodemos: ‘Como pode um homem nascer, sendo já velho? Poderá entrar uma segunda vez no seio de sua mãe e nascer?’ Respondeu-lhe Jesus: ‘Em verdade, em verdade, te digo: quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus. O que nasceu da carne é carne, o que nasceu do Espírito é espírito. Não te admires de eu te haver dito: deveis nascer do alto. O vento sopra onde quer e ouves o seu ruído, mas não sabes de onde vem nem para onde vai. Assim acontece com todo aquele que nasceu do Espírito’” (Jo 3, 1-8).

Nascer do Espírito é nascer do Todo, da humanidade, além do mero nascimento carnal em determinada família ou Estado, ainda que este nascimento tenha sido Providencial. É deixar de ser filho da carne para ser Filho do Homem, deixar de ser americano, europeu, africano ou asiático, mas Humano, como Sócrates, que era cidadão do mundo.

A Realidade depende da correta compreensão do Todo, da Humanidade, da Vida, e seu sentido maior, do Logos, a Realidade é a Vida segundo o Espírito Santo, a Única Razão, segundo Jesus Cristo, o Caminho, a Verdade e a Vida, o Logos feito carne.

Determinismo ideológico ou espiritual

Toda visão de mundo, ou cosmovisão, está ligada a uma ideologia, como conjunto sistematizado de ideias que organizam essa perspectiva da realidade, que, por sua vez, adota um valor fundamental, em torno e a partir do qual a referida visão de mudo se liga aos fenômenos, dando sentido às coisas, e que assim condiciona a hermenêutica, a interpretação da vida. Quando essa interpretação da vida possui uma coerência total, uma ligação de tudo e todos, notadamente no nível espiritual, é chamada religião.

O valor fundamental do cristianismo, como manifestação do monoteísmo, segundo o qual há um só Deus e uma só religião, é o da unidade do mundo, da interdependência das partes ao todo a que pertencem, e esse todo inclui tudo, conhecido e desconhecido, visível e invisível, inteligível e ininteligível. Essa unidade é, ao mesmo tempo, espiritual e material, mas a ênfase está na Ideia, no Espírito, que dá sentido e coerência à vida, pois é o Espírito que significa a matéria, e sem Aquele esta é morta, na medida em que é o Espírito que dá unidade à matéria, sendo Ele próprio a verdadeira Unidade.

Uma vez adotada essa posição, por vontade livre, a pessoa ingressa num determinismo ideológico, pois suas ações passam a ser condicionadas por essa visão de mundo, por essa Ideia, aceitando os efeitos de sua conduta sobre o mundo e vice-versa, considerando que não vemos o resultado final de todas as nossas ações, ele não é imediato, porque esse determinismo muitas vezes atua de forma diferida ou por meio de um salto quântico, em que o além está determinado, ainda que não possamos percebê-lo.

No salto quântico não há continuidade aparente no movimento da partícula, ela está em um ponto e depois em outro, como num passe de mágica. O elétron está numa camada de energia e, de repente, surge em outra camada de maior (ou menor) energia, que é transcendente àquela anterior, com a qual não mantém contato evidente.

Saliente-se que a nova camada eletrônica (ou as novas camadas, que são várias) está lá com suas características, que podem ser tidas por “inconscientes” para o elétron, até que este chegue a esse nível e se comporte com as qualidades desse nível.

No plano humano acontece algo semelhante, em que os níveis quânticos são hermenêuticos e espirituais. A pessoa se entende num corpo, depois numa família, num clã, numa cidade, numa nação, dando saltos quânticos hermenêuticos para alcançar os respectivos níveis de realidade intelectual, de consciência.

O nível final de consciência é o da humanidade cósmica, em que a pessoa se percebe como membro da coletividade da vida e do Cosmos, incluindo os entes que a antecederam e os que a sucederão. A pessoa se desfaz de seus condicionamentos locais, para agir como uma consciência coletiva, também no nível local, mas com o Espírito, além dos meros interesses individuais ou grupais, tendo em vista a comunidade humana, a comum unidade das pessoas.

O auge dessa consciência foi alcançado por Jesus Cristo, que agia conforme o Logos, Deus, a Consciência Cósmica, o Espírito, sendo fiel à sua visão de mundo, agindo livremente segundo sua religião, mas determinado por ela, submisso a Deus, confiando nos efeitos de sua ação conforme sua fé, sua religião. Nesse sentido, foi até a morte, que teve como um de seus efeitos o de confirmar sua religião perante os apóstolos, sua visão de mundo Espiritual, uma vez que ressuscitou, o que é prova, para os cristãos, de que a realidade é mais do que vemos, indicando que há uma ordem espiritual com seu determinismo.

Determinismo está diretamente ligado à noção de causalidade. O determinismo materialista é regido pela causalidade local e limitado pelo princípio da incerteza, segundo o qual não há certeza, mas probabilidades, significando, em última análise, uma ideologia caótica. Para o determinismo idealista ou espiritual a causalidade verdadeira é não local, ou seja, é global, valendo o que é chamado de Causalidade Vertical por Wolfgang Smith (In O Enigma Quântico: Desvendando a Chave Oculta. Trad. Raphael de Paola. Campinas, SP: Vide Editoral, 2011, capítulo VI), indicando uma causalidade difusa, ligado a um campo de energia que está numa camada ainda não compreendida pela física, mas que permite os fenômenos conhecidos como emaranhamento ou entrelaçamento quântico, ou tunelamento quântico, decorrente da natureza global e indivisível da realidade. Esse tema foi desenvolvido no artigo “Jesus e o jogo da Vida Eterna: verdade e consequência”, e está diretamente ligado a ele, valendo a leitura (https://holonomia.com/2016/09/05/jesus-e-o-jogo-da-vida-eterna-verdade-e-consequencia/).

O determinismo idealista ou espiritual exige humildade, tendo em vista em que se deve reconhecer a impotência do homem diante de Deus, do Cosmos, impotência essa que é mitigada pelo fato de que a mesma cosmovisão, a religião, indica que há sentido na Vida e que Deus é Bom e Justo, e está no controle de todas as coisas. Deus é fiel e cumpre suas promessas, o que significa que a razão divina é absoluta, e nela se pode confiar, mesmo que provisoriamente ininteligível. A pequenez do homem não é nada diante do poder de Deus, sendo que a fé correta, ligada à razão correta, ao Logos, salva. Mas importante que ganhar qualquer conflito pontual, é vencer a batalha final, a guerra. Assim, essa aparente impotência implica em grande potência, pois “Se Deus está conosco, quem estará contra nós?” (Rm 8, 31).

Quem habita na proteção do Altíssimo pernoita à sombra de Shaddai, dizendo a Iahweh: Meu abrigo, minha fortaleza, meu Deus, em quem confio! É ele quem te livra do laço do caçador que se ocupa em destruir; ele te esconde com suas penas, sob suas asas encontras um abrigo. Sua fidelidade é escudo e couraça. Não temerás o terror da noite nem a flecha que voa de dia, nem a peste que caminha na treva, nem a epidemia que devasta ao meio dia. Caiam mil ao teu lado e dez mil à tua direita, a ti nada atingirá” (Sl 91, 1-7).

Nesse mundo de probabilidades, Deus age além das possibilidades, pois Deus é o Deus do impossível, o que é o caso da ressurreição para os materialistas, uma coisa impossível. Não temos acesso ao vácuo quântico, ao nível subquântico, que possui energia infinita, pelo que nosso conceito de impossível é certamente limitado.

Jesus, fitando-os, disse: ‘Aos homens é impossível, mas não a Deus, pois para Deus tudo é possível’” (Mc 10, 27).

Humildade é contrário de orgulho, ou vaidade, e esse pecado é o principal, que levou à Queda, à separação do homem de Deus, e do homem da natureza; e enquanto essa postura da humanidade perante a Vida não for mudada, a desordem continuará, como nas guerras e no aquecimento climático.

O livre-arbítrio permite a escolha, que no fim das contas, é entre esses dois modos de ver o mundo: segundo um caos materialista ou conforme a ordem espiritual; e feita a opção, em espírito e ação, os efeitos são determinados pelo conjunto das ideias, o pacote é completo: para uma vida de caos, e sem direção, ou de ordem, ainda que oculta, mas com sentido.

A escolha leva à servidão da matéria ou do Espírito. E nosso livre-arbítrio nas atividades diárias consiste na constante atenção de conter os impulsos, pois a neurociência nos diz que nossa liberdade é exercida numa fração de segundos, apenas para conter a reação instintiva do corpo. O treinamento contínuo do Espírito, pela oração, pelo estudo e pela prática das virtudes, facilita a contenção da ação instintiva, para a ação espiritual e inteligente. Sem a restrição dos impulsos somos escravos da carne.

Entendo que estamos no limite de um nível de energia, prestes a um salto quântico coletivo, salto esse que é hermenêutico, de sentido do mundo, de interpretação de todas as coisas, e feito o salto, a mudança intelectual gerará os efeitos coletivos, prenunciados como era messiânica, ou Reino de Deus, mas para isso, seguindo as Escrituras, está sendo necessário o sofrimento coletivo, pelas guerras, fomes, doenças, decorrente do descontrole individual e coletivo do egoísmo e dos instintos carnais, até que esse movimento atinja o limite do insuportável, gerando a energia necessária para a mudança de cosmovisão, para que a humanidade seja então guiada pelo determinismo ideológico ou espiritual, pela melhor razão, que é coletiva, pelo Logos.

Para o retorno do Messias é necessário que se complete a energia psíquica suficiente para o salto quântico, a catarse coletiva, para que a nova consciência, inaugurada por Jesus Cristo, se torne manifesta, irrompa à consciência coletiva, atingindo cada um e todos os homens vivos. O apocalipse descreve, assim, a transição de fase da humanidade, de um estado em que a consciência potencial será transformada em consciência real, em pensamentos em toda sua realidade, com todo o desconforto para aqueles com débito energético com o meio, como um pesadelo acordado, ou seja, os que acumularam experiências de vida em detrimento consciente da vida alheia terão o retorno físico de suas ações. O organismo humanidade cósmica irá agir contra seus membros indesejáveis, como numa reação imunológica, atacando um corpo estranho ou uma infecção.

E eles clamaram em alta voz: ‘Até quando, ó Senhor santo e verdadeiro, tardarás a fazer justiça, vingando nosso sangue contra os habitantes da terra?’ A cada um deles foi dada, então, uma veste branca e foi-lhes dito, também, que repousassem por mais um pouco de tempo, até que se completasse o número dos seus companheiros e irmãos, que iriam ser mortos como eles” (Ap 6: 10-11).

“‘Não danifiqueis a terra, o mar e as árvores, até que tenhamos marcado a fronte dos servos do nosso Deus’. Ouvi então o número dos que tinham sido marcados: cento e quarenta e quatro mil, de todas as tribos dos filhos de Israel” (Ap 7: 3-4).

O quantum da revelação divina é medido pelo número dos cento e quarenta e quatro mil. Atingido esse limite de injustiça e desequilíbrio, a energia será suficiente para o salto, que levará à Justiça, à harmonia e à Paz. Como no plasma, as pessoas deixarão de se guiar pelo seus egoísmos e agirão “ionizadas” por Deus, pelo Logos, atuando individual e coletivamente em harmonia. O poder humano será exercido pela melhor Inteligência, como na República idealizada por Platão, e profetizada como Reino de Deus ou Era Messiânica.

Assim diz o Senhor Iahweh: Tu és aquele de que falei nos dias antigos por intermédio dos meus servos, os profetas de Israel, os quais profetizaram naqueles dias, anunciando que eu havia de trazer-te contra eles. Sucederá naquele dia, em que Gog vier contra a terra de Israel, — oráculo do Senhor Iahweh — que a minha cólera transbordará. Na minha ira no meu ciúme, no ardor da minha indignação eu o digo. Com efeito, naquele dia haverá um grande tumulto na terra de Israel. Diante de mim tremerão os peixes do mar, as aves do céu, os animais do campo, todo réptil que rasteja sobre a terra e todo o homem que vive sobre a face da terra. Os montes serão arrasados, as rochas íngremes, bem como todos os muros ruirão por terra. Chamarei contra ele toda espada, oráculo do Senhor Iahweh; será a espada de todos contra todos. Castigá-lo-ei com a peste e o sangue; farei chover uma chuva torrencial, saraiva, fogo e enxofre sobre ele e as suas tropas e os muitos povos que vierem com ele. Engrandecer-me-ei, me santificarei e me darei a conhecer aos olhos de muitas nações e elas saberão que eu sou Iahweh” (Ez 38, 17-23).

Nesse Dia a humanidade entenderá o determinismo espiritual, a ação de Deus na História, ainda que “apenas” pelas forças da natureza. Uma “grande coincidência”, mas uma Coincidência Divina, profetizada há quase três mil anos, fazendo como que o Logos, a Inteligência, exemplificado por Jesus Cristo, e não o egoísmo, passe a governar as pessoas e, consequentemente, as nações.

O tunelamento quântico (teletransporte) do apóstolo Filipe

A natureza científica do cristianismo autêntico é o tema principal de meus trabalhos, ciência como unidade ordenada do conhecimento. Unidade porque o conhecimento verdadeiro é integralmente coerente em si. A ciência inclui todo e qualquer conhecimento, todo e qualquer evento que possa ocorrer, inclusive os chamados milagres. Há Um só Deus, como nos diz o Monoteísmo, e há uma só ciência, estando esta ligada Àquele. A Ciência inclui o Direito, a ordem humana justa segundo a vontade de Deus, a Ordem Cósmica; a Biologia, a Vida plena; a Física, a natureza e o movimento das coisas.

Milagre é aquilo que a ciência não pode explicar, até que o fenômeno seja entendido, ao menos parcialmente, passando a ser chamado de evento físico descrito pela ciência.

A abordagem deste artigo é sobre um episódio dessa natureza, que é pouco divulgado no meio cristão, mas que está devidamente narrado nos Atos dos Apóstolos, o teletransporte, como um tunelamento quântico, do apóstolo Filipe.

Filipe batiza um eunuco — O Anjo do Senhor disse a Filipe: ‘Levanta-te e vai, por volta do meio-dia, pela estrada que desce de Jerusalém a Gaza. A estrada está deserta’. Ele se levantou e partiu. Ora, um etíope, eunuco e alto funcionário de Candace, rainha da Etiópia, que era superintendente de todo o seu tesouro, viera a Jerusalém para adorar e ia voltando. Sentado na sua carruagem, estava lendo o profeta Isaías. Disse então o Espírito a Filipe: ‘Adianta-te e aproxima-te da carruagem’. Filipe correu e ouviu que o eunuco lia o profeta Isaías. Então perguntou-lhe: ‘Entendes o que lês?’ ‘Como o poderia, disse ele, se ninguém me explicar?’ Convidou então Filipe a subir e sentar-se com ele. Ora, a passagem da Escritura que estava lendo era a seguinte: Como ovelha foi levado ao matadouro; e como cordeiro, mudo ante aquele que o tosquia, assim ele não abre a boca. Na sua humilhação foi-lhe negada a justiça. E a sua geração, quem é que a narrará? Porque a sua vida foi eliminada da terra. Dirigindo-se a Filipe, disse o eunuco: ‘Eu te pergunto, de quem diz isto o profeta? De si mesmo ou de outro?’ Abrindo então a boca, e partindo deste trecho da Escritura, Filipe anunciou-lhe a Boa Nova de Jesus. Prosseguindo pelo caminho, chegaram aonde havia água. Disse então o eunuco: ‘Eis aqui a água. Que impede que eu seja batizado?’ E mandou parar a carruagem. Desceram ambos à água, Filipe e o eunuco. E Filipe o batizou. Quando subiram da água, o Espírito do Senhor arrebatou Filipe, e o eunuco não mais o viu. Mas prosseguiu na sua jornada com alegria. Quanto a Filipe, encontrou-se em Azoto. E, passando adiante, anunciava a Boa Nova em todas as cidades que atravessava, até que chegou a Cesareia” (At 8, 26-40).

Nessa narrativa, Filipe se deixa levar pelo Espírito Santo, prega ao eunuco, sendo então teletransportado para Azoto. Esse milagre hoje pode ser chamado de tunelamento quântico, ou passagem por uma ponte de Einsten-Rosen, que é o nome técnico de buraco de minhoca, que leva de um ponto a outro do espaço-tempo.

Segundo a Wikipedia “Tunelamento quântico (ou efeito túnel) é um fenômeno da mecânica quântica no qual partículas podem transpor um estado de energia classicamente proibido. Isto é, uma partícula pode escapar de regiões cercadas por barreiras potenciais mesmo se sua energia cinética for menor que a energia potencial da barreira”.

O tunelamento quântico é a possibilidade de atravessar uma barreira inicialmente intransponível, ou atravessar uma parede, desaparecendo de um lado e aparecendo do outro. No tunelamento quântico a partícula pega energia emprestada do futuro para conseguir ultrapassar uma barreira. Seria o caso de se jogar uma bola morro acima com a força necessária para ela chegar apenas no meio da montanha, mas de alguma forma ela ganhar energia e aparecer do outro lado do morro.

No caso, como o espaço entre o local onde Filipe estava e aquele em que ele apareceu era uma barreira para o deslocamento, pode-se dizer que ocorreu uma hipótese de tunelamento. Ou pode-se dizer que ele passou por uma ponte de Einsten-Rosen. Ocorreu um teletransporte. Os apóstolos viviam guiados pelo Espírito Santo de Deus, por uma energia superior à deles, por uma vontade coletiva, e não individual, agiam de acordo com o Campo de Deus, e o Espírito arrebatou Filipe, um energia não local alterou uma situação local, produzindo o teletransporte.

Esse evento decorre da dualidade onda-partícula, que afeta todas as coisas, inclusive as pessoas, pois não há um limite na ciência definindo até onde vale a física quântica, ou orgânica quântica, e a partir de quando vale a física clássica, pois tudo está sujeito ao mundo quântico. O Campo de Deus abrange toda a criação, sendo Ele onipresente, o que parece ocorrer também com o campo de Higgs.

O Logos é o emaranhamento, ou entrelaçamento, quântico de tudo o que existe, conecta tudo no universo, mantendo sua ordem, o Cosmos. O Logos é não local, ou seja, está em todo lugar, como é a natureza quântica da realidade.

No YouTube há um canal que costumo acompanhar, Space Time, pelo qual vejo algumas atualizações da física. Em um episódio o apresentador fala do tunelamento quântico, explicando sua situação (do apresentador) como onda, incluindo a possibilidade infinitesimal, mas não nula, de ele também estar naquele mesmo momento na Lua, pela probabilidade de sua função de onda lá estar – conforme link https://www.youtube.com/watch?v=-IfmgyXs7z8, e apesar de ser em inglês, com possibilidade de legenda em inglês, é interessante o vídeo, com cerca de dez minutos, que vale ser assistido.

O ponto importante dessa questão consiste no fato de que o apresentador, que fala apenas a linguagem científica, indica a possibilidade do teletransporte, sob a forma de medição de sua posição, em razão de sua natureza ondulatória, em um lugar como a Lua, com o colapso da sua função de onda nesse outro ponto do espaço; ou seja, a natureza ondulatória da pessoa, fazendo com que ela seja um campo se expandindo pelo espaço, permite a alteração de sua posição por uma nova medição, decorrente da descontinuidade quântica, uma outra observação de sua posição, e sua efetiva localização naquele satélite, por teletransporte.

Portanto, a ciência comprova a possibilidade do teletransporte do apóstolo Filipe, dizendo que o fato descrito na Bíblia como milagre é uma situação possível de acontecer segundo as leis da física. A improbabilidade do evento não indica a sua impossibilidade.

Deve ser salientado que o teletransporte em questão, do apóstolo Filipe, se deu no contexto da pregação evangélica, a descrição do maior evento já ocorrido no Planeta, a manifestação do Espírito de Deus Perfeito por um Homem, Jesus Cristo, sua morte e ressurreição, com a função de resgatar o espírito humano, a humanidade, para Deus, restabelecendo a unidade da criação, unindo novamente a criatura ao Criador, com os reflexos necessários na ordem política e social, estes ainda em curso.

O nível de energia física da atividade de Jesus era extraordinário, inclusive com emanação de como alguma coisa conhecida hoje por radioatividade, que curava o DNA das pessoas, recuperando a perfeição da saúde daqueles curados por Ele. Se nós hoje conseguimos causar câncer com a energia atômica, Deus pode perfeitamente curar males equivalentes por sua Energia, por seu Espírito Santo, com uma radioatividade totalmente benéfica para a saúde humana. Se  uma bomba atômica pode causar destruição instantânea, pode haver uma “bomba” ao contrário, com criação instantânea de vida, e nós temos átomos em nosso corpo, a máquina mais perfeita do universo, com essa capacidade.

Algumas pessoas são comprovadamente mais sensíveis que outras, têm mais habilidades em alguns assuntos, e Jesus Cristo tinha e tem a habilidade de manipular o campo de Higgs, manipular a matéria-prima de que são feitas todas as coisas. Jesus trabalha no nível quântico, no nível da Unidade do Ser, sendo sua ação local e não local ao mesmo tempo, é o maior cientista da história, sendo que Sua atividade, seu movimento, transcende o espaço-tempo, atingindo a eternidade, o infinito, a singularidade cosmológica.

Por isso Deus soberanamente o elevou e lhe conferiu o Nome que está acima de todo o nome, a fim de que ao nome de Jesus todo joelho se dobre nos céus, sobre a terra e sob a terra, e que toda língua proclame que o Senhor é Jesus Cristo para a glória de Deus Pai” (Fl 2, 9-11).

Assim, também a ciência humana haverá de se curvar a Jesus Cristo, o que deverá ser feito pela Física, Teologia, Filosofia, Direito etc; todo conhecimento humano depende de Jesus Cristo para sua unidade e coerência, pois ele é a encarnação do Logos, o Universal, da superforça que existiu no princípio da criação, unindo todas as forças da natureza, sendo a Vida em expressão completa, a plenitude da criação.

E quando isso acontecer estaremos na Parusia, na vigência do Reino de Deus, em que a humanidade trabalhará integrada pela totalidade dos seres humanos, da espécie humana, e não para alguns poucos privilegiados, como ocorre atualmente.

A ciência, a política e todas as formas de conhecimento devem servir a todos, e não a alguns grupos.

Jesus Cristo atingiu o limite da humanidade, a fronteira do Céu, porque foi plenamente humano, racional e fiel à Ciência, e por isso está sentado à direita de Deus, o que significa que tudo na criação se submete a Jesus Cristo, enquanto Logos, Razão Máxima, porque Jesus Cristo é o único que se submeteu perfeitamente a Deus, atingindo assim a perfeição como imagem visível do Deus Único, invisível, sendo a Razão Coletiva encarnada.

As profecias são verdadeiras, são científicas, como o teletransporte citado, o que significa que o Reino de Deus está próximo.

Cumpriu-se o tempo e o Reino de Deus está próximo. Arrependei-vos e credes no Evangelho” (Mc 1, 15).

A Consciência Cristã

Segundo o Dicionário Aurélio em sua 4.ª edição, consciência é “atributo altamente desenvolvido na espécie humana e que se define por uma oposição básica: é o atributo pelo qual o homem toma em relação ao mundo (e, posteriormente, em relação aos chamados estados interiores, subjetivos) aquela distância em que se cria a possibilidade de níveis mais altos de integração”; “conhecimento desse atributo”; “faculdade de estabelecer julgamentos morais dos atos realizados”; “conhecimento imediato da sua própria atividade psíquica ou física”; “conhecimento, noção, ideia”; “cuidado com que se executa um trabalho, se cumpre um dever, senso de responsabilidade”; “honradez, retidão, probidade”; “consciência coletiva: conjunto de representações, de sentimentos ou de tendências não explicáveis pela psicologia do indivíduo, mas pelo fato do agrupamento dos indivíduos em sociedade”; “consciência de si: autoconsciência”; “consciência moral: a faculdade de distinguir o bem do mal, de que resulta o sentimento do dever ou da interdição de se praticarem determinados atos, e a aprovação ou o remorso por havê-los praticado”.

A ideia de consciência está ligada a uma separação, o pensamento separando-se do pensado e do pensante, e a superação dessa separação, por uma integração, numa unidade complexa e abstrata, mas real. A unidade é transcendente, o que se diz de Deus, mas se conecta a todas as coisas em suas conexões essenciais, e assim também imanente.

Para a filosofia materialista, a consciência é um produto da complexidade do cérebro, que surgiu com a espécie humana, em decorrência de pura sorte, pelo movimento aleatório do universo que em determinado momento, depois do desenvolvimento da vida (não se sabe como) e sua evolução, o homem adquiriu consciência.

De outro lado, para o espiritualismo, ou para o idealismo, a consciência é preexistente ao homem, sendo inerente ao Cosmos, é atributo de Deus, da Razão, que foi alcançada pela humanidade como dádiva do Altíssimo, ao conceder ao homem seu Espírito e Liberdade. No princípio era o Verbo, o Logos, a Consciência.

“Deus criou o homem à sua imagem, à imagem de Deus ele o criou, homem e mulher ele os criou” (Gn 1, 27); “Então Iahweh Deus modelou o homem com argila do solo, insuflou em suas narinas um hálito de vida e o homem se tornou um ser vivente” (Gn 2, 7).

Deus é Espírito, e colocou no homem um espírito capaz de alcançar o Espírito de Deus, fazendo-o à Sua imagem, como um reflexo.

Consciência é conhecimento, manifestação do Espírito, mas um conhecimento especial, que reflete uma ordem, uma razão; e o homem, pela liberdade concedida por Deus, pode optar por fazer de sua consciência o reflexo de uma natureza materialista caótica e aleatória ou de uma natureza com um princípio espiritual, ordenado e organizado.

Segundo o conhecimento bíblico, a criatura, pelo homem, seguiu a influência de Satã, o Diabo, que significa o que desune, o que separa, rompendo sua ligação com Deus, episódio conhecido como Queda. Desde então, a história da humanidade é a da busca pela reconexão com Deus, com o Cosmos, que foi alcançada individualmente com Jesus Cristo, que tinha consciência de sua Unidade com o Pai, o Criador, pelo que Jesus Cristo é a encarnação da própria Consciência, a manifestação do Logos.

A consciência decorre de ciência conjunta, é um saber compartilhado, pelo qual o pensamento humano se conecta idealmente a uma ordem (ou desordem, para os materialistas) que lhe é alheia, ligando eventos materiais e espirituais em uma cadeia relacional, causal, vinculando-se ao conceito de movimento: físico, psíquico e intelectual. Todavia, o homem, por seu espírito, entende que ele integra essa ordem “alheia”, compreendendo que sua consciência, enquanto Consciência, é a própria Ordem cósmica se percebendo.

Nesse ponto, a melhor proposta científica sobre a realidade e seu movimento é a desenvolvida por David Bohm, descrevendo o cosmos como um holomovimento contínuo, pelo qual a verdadeira realidade é indivisível, inseparável, indefinível e incomensurável.

O movimento do todo é ordenado, mas a ordem mais ampla e profunda é implícita, está dobrada para dentro, é implicada, e nós percebemos por nossos sentidos apenas a ordem dobrada para fora, que é superficial, explicada, manifesta.

A ciência, assim, a partir da noção interna de ordem, presente no espírito humano, procura nas manifestações exteriores os sinais que apontam para a citada ordem implicada, que pode ser entendida como imanente e transcendente, além do espaço-tempo. Wolfgang Smith afirma que mesmo “o mais simples ato de percepção é consumado pelo intelecto, transcendendo assim os limites do espaço e do tempo” (In O Enigma Quântico: Desvendando a Chave Oculta. Tradução de Raphael de Paola. Campinas: Vide Editoral, 2011, p. 195); ou seja, é o intelecto, imaterial e atemporal, que percebe a ordem.

No holomovimento, o que vale é a lei do todo, a holonomia, pelo que qualquer autonomia é relativa, sendo absoluta apenas a holonomia. Portanto, como a consciência se refere ao reflexo, a uma cópia, do movimento alheio ordenado, o objeto da consciência consiste em fazer de si mesma uma continuação do holomovimento, da ordem do todo, tendo ciência do que move o todo e o que move as partes que compõem esse todo, tanto a natureza física e os animais como a humanidade, individual e coletivamente.

O objetivo da consciência é fazer do comportamento humano uma cópia do movimento cósmico, restabelecendo o homem como imagem de Deus, inclusive na vida social.

Nosso cérebro está preparado para essa atitude, pois os neurônios espelhos agem para repetir o movimento, neurônios que funcionam até mesmo inconscientemente, e essa repetição deve ser levada à consciência pelo exercício mental até atingir a abstração, repetindo a ordem racional por trás dos fenômenos, o Logos, com utilização dos neurônios do córtex pré-frontal, região do cérebro responsável pelo planejamento das ações e pensamentos complexos. Do movimento repetitivo inconsciente devemos passar à ação consciente segundo a ordem universal, o Cosmos.

A natureza espiritual do homem o leva à especulação, na busca pelo espelhamento da ordem cósmica, e o comportamento conforme essa ordem é o caminho, e a finalidade, do desenvolvimento da consciência.

Consciência é percepção inteligente do holomovimento, o conhecimento das causas dos movimentos individuais e suas conexões com o movimento coletivo, incluindo a Causa Primeira, o Princípio de Todas as Coisas, Deus.

A consciência é percebida pelo cérebro, mas não está no cérebro, como pretendem fazer crer os materialistas. As ondas eletromagnéticas estão por toda parte, sendo o cérebro apenas o instrumento corporal da percepção, pelo qual podemos alcançar a mente coletiva, o Logos.

As ideias têm formas eletromagnéticas que interferem no funcionamento do cérebro. Grandes ideias se conectam a grandes movimentos, como as religiosas, científicas, ligadas à Justiça Social; e pequenas ideias são limitadas a pequenos movimentos, como a ideia egoísta que se restringe aos movimentos e interesses da própria pessoa. A interferência entre as frequências das ideias é facilitada pela proximidade de seus formatos de onda.

Ideias interagem com os campos a ela pertinentes, mais amplos e abstratos ou estritos e concretos. A física quântica e a relatividade nos dizem que tudo pode ser convertido em energia, pelo que as ideias e as palavras também são energia, ligadas ao movimento. Os resultados do trabalho do pesquisador japonês Masaru Emoto são uma prova desse fato, demonstrando que cristais de água têm sua forma alterada por palavras boas ou más coladas nos potes que continham o líquido, antes de ser congelado. Segue link sobre o citado estudo: https://www.youtube.com/watch?v=epoTVejvpEI.

Consciência é o movimento percebendo a si próprio, o Todo se percebendo na parte e a parte se percebendo no Todo. Para aqueles que entendem que o Todo é Deus, o Espírito infinito, a consciência é essa percepção. Já para o materialismo, o todo é o caos material, e sua consciência se torna igualmente caótica e aleatória, além de limitada.

Para se ter consciência é preciso conhecimento histórico da mudança ocorrida no holomovimento, incluindo como a consciência chegou até aquele ponto, física e intelectualmente, e a direção a seguir, analisando as respectivas causas, motivações e movimentos necessários à realização do movimento.

A revisão da história, a crítica da investigação científica pode ser necessária para correção da consciência individual e coletiva, como ocorre na terapia. A partir do conhecimento adquirido e refletido, a história pode e deve ser reescrita.

Somente existe consciência na liberdade, somente a liberdade espiritual pode levar à consciência. Deus não criou o homem como um autômato. E por isso a liberdade pode levar a consciência ao materialismo, que, por considerar não haver nada além do corpo, inevitavelmente é individualista e egoísta, com os efeitos nocivos que vemos por todos os lados, em todos os noticiários; ou pode levar ao Reino de Deus, pelo uso verdadeiro da liberdade, em que a consciência age conforme a ordem coletiva, que transcende o indivíduo, possuindo natureza racional, Espiritual.

Ter consciência é mover-se voluntariamente como objeto do Sujeito universal, da Razão, fazendo com que a consciência se desenvolva para fora do ego até atingir a Razão Universal, manifestando o Cristo, o Espírito Santo, a Razão Santa, na vida individual e social. Consciência é livre submissão ao Logos, a Razão Absoluta. Mas para se submeter ao Logos é preciso buscá-lo, conhecê-lo, o que pode ser feito tanto pelas pessoas simples como pelas eruditas. Segundo o Evangelho, os pobres de espírito têm preferência natural nesse conhecimento, pela humildade, sendo deles o Reino de Deus, porque aceitam a ordem divina.

David Bohm, na entrevista com Renée Weber, constante do livro “O Paradigma Holográfico e outros paradoxos”, da editora Cultrix (obra esgotada mas que pode ser encontrada em sebos como a Estante Virtual), afirma que:

“a consciência está, basicamente, na ordem implicada, assim como toda matéria o está; portanto, não é que a consciência seja uma coisa e a matéria seja outra, mas sim que a consciência é um processo material e que ela própria se encontra na ordem implicada, como toda matéria, e que a consciência se manifesta em alguma ordem explicada, como também o faz a matéria em geral.

WEBER: A diferenciação entre aquilo a que chamamos matéria e a consciência seria, penso que você o disse ontem, o estado de densidade ou sutileza.

BOHM: O estado de sutileza, sim, a consciência é possivelmente uma forma mais sutil de matéria e movimento, um aspecto mais sutil do holomovimento.

WEBER: Sim. E a matéria é muito densa ou pesada ou congelada.

BOHM: Seja o que for, mas menos sutil.

WEBER: Quando você diz consciência refere-se a pensamentos, emoções, desejos, vontade, enfim a toda a vida mental ou psíquica?

BOHM: Sim, a tudo isso.

WEBER: E você está dizendo que a fonte daquilo que percebemos tanto no assim chamado mundo externo como em nós mesmos, em nossos assim chamados processos internos, reside nesse não-manifesto.

BOHM: Sim, e o próprio não-manifesto reside em algo que está imensamente além dele”.

Em seguida Bohm afirma que “a ideia do holomovimento é parte do holomovimento. E a idéia do holomovimento também contém a idéia de que a própria idéia é parte do holomovimento”, que nosso objetivo é agarrar essa ideia e fazê-la desenvolver, fazendo do movimento um todo uno, ou seja, sermos manifestação e consciência do holomovimento.

Esta entrevista pode ser lida na íntegra na internet (http://escoladedialogo.com.br/escoladedialogo/index.php/biblioteca/o-universo-que-dobra-e-desdobra/), e para uma visão mais elaborada do princípio holográfico a leitura do citado livro pode ser muito útil, especialmente os textos de Ken Wilber.

Digo isso porque o princípio científico da Bíblia é holográfico, ou holonômico, e o objetivo da encarnação do Verbo, do Logos, é justamente nos resgatar, nos religar a Deus, à Ordem (Cósmica), nos unir conscientemente ao holomovimento, ao Todo, para sermos integrados a esse Todo, ou seja, parte com consciência do Todo e em que esse Todo se manifesta.

“E, quando todas as coisas lhe tiverem sido submetidas, então o próprio Filho se submeterá àquele que tudo lhe submeteu, para que Deus seja tudo em todos” (1Co 15, 28).

E esse é um dos pedidos da oração de Jesus Cristo na última ceia.

“Não rogo somente por eles, mas pelos que, por meio de sua palavra, crerão em mim: a fim de que todos sejam um. Como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, que eles estejam em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste. Eu lhes dei a glória que me deste para que sejam um, como nós somos um: Eu neles e tu em mim, para que sejam perfeitos na unidade e para que o mundo reconheça que me enviaste e os amaste como amaste a mim” (Jo 17, 20-23).

O primeiro mandamento é “Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu espírito” (Mt 22, 37), o que significa ter consciência máxima (de Deus) e segui-la, porque cumprir esse mandamento é cumprir toda a Lei.

Consciência é ser Um com Cristo e com Deus, viver pelo/no Logos, pela/na Razão Santa, Saudável, pelo/no Espírito Santo.

Ciência: linguagem, física e metafísica

A primeira categoria científica é a linguagem, a construção simbólica do mundo, pois sem linguagem não somos propriamente humanos. A linguagem é a forma do pensamento, que tem um conteúdo, o que é pensado e expresso em palavras, permitindo comunicação.

Já nos diz a Bíblia que no princípio era o Logos, sendo um de seus significados Razão, Inteligência, Palavra, Discurso ou seja, a descrição ou projeto inteligente da realidade.

Pela linguagem são feitas associações entre pensamentos e os fenômenos do mundo, uma conexão entre a realidade mental e a realidade física, que estão interligadas, uma não existindo, para nós, sem a outra, sendo o mundo um só, do qual fazemos parte.

Nossa linguagem surge com a experiência da linguagem, com a ligação de um significante a um significado, que depende de uma conexão sensorial e mental entre o símbolo, primeiro sonoro e depois visual, e sua relação com algo, aprendizado que se inicia desde os primeiros momentos da infância.

A partir da linguagem que herdamos pela tradição oral e escrita, construímos um mundo simbólico próprio que vai sendo comparado com a realidade sensorial à nossa volta, em relação aos sentidos e à coerência entre eles, permitindo a análise da pragmática, decorrente do compartilhamento das experiências simbólicas.

Para facilitar a comunicação simbólica, a humanidade criou também a linguagem matemática, de natureza abstrata, que possibilita uma certa objetivação, ou seja, independe de qualidades subjetivas das pessoas, pela convenção bem delimitada dos números e medidas.

E a partir dessas convenções matemáticas, o compartilhamento das informações sobre o mundo foi facilitado, permitindo o desenvolvimento das ciências.

A ciência é uma forma especial de conhecimento, na medida em que é um conhecimento que busca a coerência, a razão, e por isso é dada tanta ênfase aos números e suas ligações e proporções.

Mesmo a mitologia primitiva tinha uma conotação científica, pois buscava explicar o mundo e os fenômenos da vida, usando a linguagem disponível na antiguidade. Questão interessante é a significação original da palavra mito, que tinha o sentido de um discurso, de uma narrativa sobre as coisas, como ciência, ainda que atualmente mito tenha a conotação de história fantasiosa.

Assim, mito é história fantasiosa para nós modernos, pois para os antigos era a ciência da época.

Isso vale para a própria Bíblia, sendo a descrição do Gênesis a forma de narrar a criação do mundo segundo os conceitos válidos para o momento histórico, conceitos que eram tidos como científicos, considerando que na antiguidade as palavras indicavam realidade; quando proferido um nome o próprio ser invocado era tido como presente, e disso vinha o escrúpulo dos judeus quanto ao nome de Deus, Iahweh, que não era pronunciado, mas substituído por Deus ou Senhor.

Com o desenvolvimento da humanidade, mais coisas passaram a ser descritas, mais fenômenos foram estudados, principalmente a partir dos filósofos gregos, que eram tidos como os cientistas da época. Aliás, até pouco tempo, séculos atrás, não havia diferença entre ser filósofo ou cientista, o que ocorreu principalmente a partir do século XIX, com o aprofundamento do conhecimento relativo a certos aspectos da natureza, como a reprodução dos seres, tratada na biologia, o movimento, que levou à física, as qualidades eletromagnéticas, estudadas pela química.

Daí a ciência experimental, definindo os limites dos símbolos pela relação entre eventos percebidos pelos sentidos.

Dessa forma, novos conhecimentos foram surgindo, novos conceitos sendo desenvolvidos. Antes o átomo era a menor partícula, e indivisível, do mundo, agora temos elétrons, prótons, nêutrons, quarks, bósons, neutrinos etc, o que era uma coisa tornou-se várias, ainda que a mesma coisa, o átomo, continue a ser usado nas descrições do mundo, mas com a sua devida contextualização, pois o átomo não é mais cientificamente considerado indivisível. Na realidade, o átomo sequer existe como entidade distinta pois não há um átomo concreto separado de outros, a ciência não consegue separa um átomo de qualquer elemento. Não ocorre na natureza um átomo de hidrogênio isolado do resto mundo, ele está sempre ligado a outro elemento, igual ou diferente.

Isso (os novos conhecimentos) significava a especialização, quando os cientistas passaram a conhecer cada vez mais detalhes de fenômenos específicos, deixando, como regra, de tentar manter a unidade do conhecimento como um todo, como ciência plena, como filosofia.

A fragmentação do conhecimento e a especialização científica acarretaram um distanciamento da ciência de sua verdadeira natureza, como saber racional, coerente e integral, como explicação do Ser, do sentido da Vida.

A dualidade do pensamento cartesiano impede a unificação científica, pois enquanto os cientistas da experiência medida em números se limitaram à descrição matemática dos fenômenos, que deixaram de ter para eles significação ontológica, os cientistas do espírito, das ideias, passaram a ignorar a ligação sensorial entre os pensamentos e o mundo dos sentidos, especialmente quanto aos conceitos fundamentais dos fenômenos físicos e sua significação filosófica, criando um relativismo dos valores, um relativismo moral.

A metafísica, tida como filosofia primeira, chamada por Aristóteles também de Teologia, reúne novamente a linguagem em um todo, incluindo a linguagem recebida, sua verificação experimental, até mesmo quanto aos eventos religiosos, e a formação de uma nova totalidade, testada e aprovada.

Filosofia se liga à especulação, ao pensamento abstrato, como um reflexo dos fenômenos tidos como concretos, sem a prisão sensorial, que pode enganar, assim como um falso argumento. Especular tem a mesma raiz de espelhar, de indicar um reflexo, pelo que filosofia coloca as palavras como reflexo das coisas, fazendo uma imagem linguística total dos eventos do mundo e do Ser, como uma correspondência entre eles, que devem ser ambos coerentes internamente e entre si.

E pela falta de uma especulação total, de um espelhamento, de uma imaginação dos fenômenos totais da realidade, pela ausência de uma autêntica Teologia, deixando de filosofar, de pensar sobre os atuais conceitos físicos, a chamada ciência do espírito acabou se perdendo em meras articulações linguísticas, levando Stephen Hawking a chegar a dizer que “a filosofia está morta. Ela não acompanhou os desenvolvimentos modernos da ciência, em particular da física” (Stephen Hawking e Leonard Mlodinow, in O grande projeto. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2011, p. 7).

O motivo de Hawking dizer isso decorre do fato de que a filosofia primeira é metafísica, e para se estudar metafísica é necessário o entendimento da física. Conhecer o todo é conhecer as partes de que são feitas esse todo, as ligações das partes entre si e com o todo. Mas o mais importante é saber que existe um todo, pois ele é pressuposto para os que entendem haver ordem, cosmos, e não caos.

E para isso o conhecimento da física moderna é fundamental, tanto da relatividade quanto da orgânica quântica, que nos dizem basicamente que não existem partes, apenas um todo que é abstraído para o entendimento de fenômenos específicos, que não podem absolutamente ser destacados do todo, apenas relativamente.

A relatividade demonstra a existência de um suposto contínuo espaço-tempo material, a unidade do espaço e do tempo e a intercambialidade entre matéria e energia, pela fórmula E=mc². Toda matéria é energia e toda energia é matéria, existentes em um campo que tende ao infinito, a chamada Singularidade Cosmológica.

Do mesmo modo, a orgânica quântica não permite falar em separação absoluta de coisas, mas de relações, e até mesmo para medição dos eventos ocorre uma união indissolúvel entre o observador e o observado, pelo que o observador, pela observação, altera a própria coisa observada, como efeito da medição.

O grande enigma da física consiste no fato até então provado pelos números de que não há separação entre nós e o infinito, apenas uma linha imaginária ou real, o horizonte de eventos, a partir do qual o infinito se manifesta, pois o Big Bang é uma singularidade presente aqui, ou seja, nós estamos no Big Bang, estamos no infinito.

Portanto, não se pode falar em diversidade entre natureza e espírito, na medida em que o espírito, a ideia, está presente na natureza, não de forma isolada, mas em sua integridade, integrada pelo homem e seu espírito, como ente especial do Ser, que pelo Logos consegue se ver como próprio Ser. No homem o finito é reunido com o infinito, no homem res extensa e res cogitans se tornam uma só coisa, uma só realidade.

Assim, a metafísica, a filosofia, ao especular sobre as coisas de mundo em termos linguísticos deve observar essas conclusões das ciências físicas, que são, em última análise, a confirmação científica da religião cristã autêntica, que é histórica, prevendo um julgamento no final dos tempos, quando os efeitos de nossas ações serão julgados; o que fizemos, o que causamos, será objeto de consequência para nós, pois somos uma unidade espiritual, em nossa identidade física, pelo DNA, e psíquica, pela individualidade, e perene, na medida em nossa ciência, que compartilha um pouco do Logos, não considera impossível a reunificação física e psíquica, haja vista a clonagem e a inteligência artificial, ainda que apenas o próprio Deus, o Logos, a Inteligência Cósmica, possa restaurar nossa unidade de forma perfeita.

A história é uma ciência normalmente ligada ao espírito, mas também usada pela física, notadamente pela cosmologia, que remete à criação, ao Big Bang, à Singularidade Cosmológica, que não é um evento passado, mas o próprio espaço-tempo em expansão, hoje.

As leis da física, ainda não totalmente explicadas, aplicam-se aos corpos e aos pensamentos, às ideias, em unidade, como o Logos, a razão, a unidade do discurso religioso unindo a criação cósmica e a criação humana, além do desenvolvimento da própria humanidade, sua história.

Jesus Cristo é a expressão humana de Deus, do Logos, da humanidade como ser coletivo, e assim é o próprio Deus entre os homens, o centro da humanidade, é a Vida em sua plenitude, na medida em que seu discurso e seu comportamento correspondem à manifestação da Unidade do Ser, em pensamento e ação, o cumprimento da Lei Cósmica e da Lei Humana, tanto mosaica como romana. “Eu e o Pai somos um”. “Quem me vê, vê o Pai”, indicando que a realidade física e espiritual são uma só e mesma realidade.

Em Jesus Cristo, a humanidade adquire unidade espiritual, racional, além das diferenças sociais, raciais, nacionais etc, ainda que o materialismo científico tente obscurecer essa verdade. Jesus Cristo é o marco, a origem do que hoje se diz serem os direitos humanos. Sem Jesus Cristo não existiriam direitos humanos, o que demanda que a interpretação do que sejam direitos humanos se faça conforme a hermenêutica cristã, e não segundo uma visão materialista ateia.

Desse modo, Direito também se liga a causalidade, pois o Ser é o que Deve Ser, ainda que o tempo do Direito tenha um tempo distinto quanto à causalidade, um tempo kayrológico, relativo ao tempo kayros, o tempo oportuno, o tempo orgânico, diversamente do tempo cronológico, o tempo do relógio máquina.

A causalidade jurídica é uma causalidade diferida, e não imediata, mas é causalidade, como nos indica o conceito de karma, em que pese a interpretação equivocada sobre a chamada reencarnação, pois não existe a volta da alma à carne, mas uma reverberação psíquica arquetípica com compartilhamento de memória, a que se atribui erroneamente o nome de reencarnação, quando uma pessoa, no eterno agora (o tempo não existe além da psique humana), sente algo semelhante ao que é vivido por outra pessoa agora, pela similitude vibracional, como numa sintonização, em situação emocional típica, no futuro ou no passado, compartilhando essa memória.

A percepção do ser e da causalidade do ser dependem da consciência, qualidade raríssima no mundo inconsciente em que vivemos, mas algumas pessoas possuem esse dom, como os profetas, alguns médiuns e intelectuais. A consciência é o sentimento do organismo maior, além do meu corpo e dos meus sentidos individuais, incluindo a família, o grupo, a sociedade, o planeta, o cosmos.

Jesus Cristo em sua Vida é a Unidade da Criatura e do Criador, em um só Cosmos, físico e espiritual, porque tinha tanta consciência dessa Unidade, do organismo Criatura, o Todo do Universo criado, o Filho, que era capaz de manipular o campo de Higgs e o vácuo quântico, alterando a forma e o modo de manifestação da energia Una, que possui múltiplas formas de detecção de seu movimento.

E nós também fazemos parte dessa Unidade, somos Filho, faltando-nos consciência disso e ação conforme essa unidade, individual e coletivamente, o que é indispensável para que também sejamos Um com Cristo e assim com o Pai, com Deus, em unidade de ação e pensamento. Também em discurso, em Palavra, pelo Logos, com o uso da linguagem, pois nossa metafísica está partida e dividida, nossa ciência está dividida e nossa religião está fragmentada.

Hoje está sendo discutida a reforma da educação, do ensino médio, e enquanto não for resolvida essa questão da coerência linguagem, da autêntica ciência, com o desenvolvimento das ideias até o nível da totalidade, da filosofia, da metafísica, da religião verdadeira, que é a mais pura ciência, não se poderá falar em melhoria da educação.

E pela proposta inicial, de redução da importância da disciplina filosofia, pode-se perceber que o governo está longe da causa dos problemas do país, e assim, obviamente, estará também longe das soluções e dos objetivos de melhorar a vida da população…

Nem tudo é permitido

Se Deus não existe, então tudo é permitido”. Esta frase de Dostoiévski eu conheço apenas de citações, pois ainda não li a obra do citado autor, mas seu conteúdo é muito forte e verdadeiro. Ela também é citada no filme “Deus não está morto”, disponível na Netflix, que trata do embate entre um aluno cristão evangélico contra um professor de filosofia ateu, com uma bela mensagem.

Mas o fato é que Deus existe, há Razão, existe Cosmos, e assim nem tudo é permitido.

Este artigo é inspirado em postagem do sítio www.projetoomega.com, que tem uma visão da Bíblia próxima da minha, e tem contribuído para minha reflexão sobre o Evangelho, especialmente sobre os eventos políticos que estão se desenvolvendo no oriente médio, sobre a situação de Jerusalém, Israel e Síria, com suas conotações sobre a ordem jurídica internacional. O título foi o seguinte: “Após se casar com primogênito, mãe luta pela legalidade de seu ‘casamento’ com a outra filha”, e narra a história de uma mãe, que não criou os filhos, e se casou com um filho, o qual requereu depois a anulação do “casamento”, pelo que a mãe “casou” com a filha. Segue o link do Independent, em que foi baseada a informação http://www.independent.co.uk/news/world/americas/mother-who-married-son-faces-incest-charges-for-marrying-daughter-oklahoma-spann-us-a7231501.html.

Se Deus não existe, qual o limite?

O próximo fato bizarro poderá ser alguém alegando que deseja se “casar” com seu animal de estimação ou uma planta, ou até mesmo um robô, fundamentando-se na “dignidade” humana, pois se existe “amor” com o animal, a pessoa teria “o direito de ser feliz”.

Casamento é uma situação ontológica, a união de um homem e uma mulher, a figura de uma instituição humana destinada à estabilidade social e criação ordenada dos filhos de forma saudável, dando continuidade à humanidade.

O limite das coisas é o limite da razão, e se a coisa não é mais o que a delimita, então é outra coisa.

A grande artimanha do maligno, o Mentiroso, que inspira a falsa ciência, o falso profeta bíblico, é conseguir chamar coisas distintas com o mesmo nome, e assim fazer passar o ilícito por lícito.

O casamento é uma situação de integridade social, assim como a família. Nos últimos cinquenta anos, mais ou menos, a família ocidental se desestruturou. É certo que era necessário um pouco mais de liberdade e proximidade no trato familiar entre pais e filhos, mais amor e menos forma, mas mesmo assim família não deixa de ser hierarquia, como há hierarquia na sociedade. É o ministro do Supremo Tribunal Federal que reforma a decisão de um juiz de primeiro grau, e não o contrário, como regra. E aí é que está o ponto, toda regra tem exceção, mas o que vale é a regra, devendo a exceção se mostrar evidente, pela razão, como parte da regra, em sua condição excepcional, o que não afasta a existência da norma, do normal. O pai é humano e às vezes erra, mas não deixa de ser pai e não deixa de dever ser respeitado. Nós também erramos em nossa concepção humana de Deus, o que não faz Deus errado, mas nossa concepção sobre Ele. Se errarmos uma conta, a matemática não estará errada por isso. Quando não entendemos o Logos, Ele não deixa de Ser Logos.

O que entra em questão aqui é o conceito de “dignidade humana”, no sentido de definir se dignidade é um conceito individual ou coletivo. O mundo jurídico ocidental, baseado no individualismo que reina na sociedade, entende o homem como ser apenas individual. Mas o homem individual simplesmente não existe, não há Mogli na natureza, e se houver não será humano, não de fato, apenas com potencial de se tornar humano, pois humanidade é um conceito coletivo, e não individual.

Existe um normal, existe uma regra, existe ordem, existe Deus. Nem tudo é permitido.

O enigma da esfinge é definir o que é humanidade. O mesmo é o teor do aforismo grego “Conhece-te a ti mesmo”.

A humanidade é carne ou espírito?

Penso que o humano não é um “supermacaco”, mas Espírito vivente, a carne que se move por um Espírito, uma Razão, um Logos, que é universal. O animal é individual e o Espírito é coletivo, a razão é coletiva. O Logos é intersubjetivo, por natureza, por essência, esse é o Ser.

A queda de Adão nos transformou em “supermacacos”, com homens individuais e tribos isoladas, sem a plena humanidade, a coletividade de todos os humanos, e o resgate de Jesus Cristo nos alçou novamente à qualidade de filhos de Deus, de seres espirituais, com condição de acessar o Logos, a Inteligência do Todo, ao conceito de espécie humana.

A razão do supermacaco é a razão individual e egoísta, vale para sua satisfação pessoal, enquanto a razão humana é coletiva, é por natureza coerente e vale para todos.

É importante salientar que, tirando Jesus Cristo, todos nós estamos em transição, pelo que às vezes nos portamos como supermacacos, ora como filhos de Deus.

Agora, porém, independentemente da Lei, se manifestou a justiça de Deus, testemunhada pela Lei e pelos Profetas, justiça de Deus que opera pela fé em Jesus Cristo, em favor de todos os que creem — pois não há diferença, sendo que todos pecaram e todos estão privados da glória de Deus — e são justificados gratuitamente, por sua graça, em virtude da redenção realizada em Cristo Jesus: Deus o expôs como instrumento de propiciação, por seu próprio sangue, mediante a fé” (Rm 3, 21-25).

Sabemos que a Lei é espiritual; mas eu sou carnal, vendido como escravo ao pecado. Realmente não consigo entender o que faço; pois não pratico o que quero, mas faço o que detesto. Ora, se faço o que não quero, eu reconheço que a Lei é boa. Na realidade, não sou mais eu que pratico a ação, mas o pecado que habita em mim” (Rm 7, 14-17).

Todos pecamos e estamos privados da glória de Deus, mas vez por outra nos comportamos como anjos do Céu, mensageiros da razão, profetas de Deus, alguns mais outros menos. Muita vezes é o pecado, o instinto animal e egoísta que age em nós; e se não soubermos que ele existe, nunca o controlaremos.

Daí a necessidade de sermos santos, integrais, expressão da razão coletiva: “Antes, como é santo aquele que vos chamou, tornai-vos também vós santos em todo o vosso comportamento, porque está escrito: Sede santos, porque eu sou santo” (1Pd 1, 15-16). O apóstolo repetiu uma parte da Torá:

Iahweh falou a Moisés e disse: Fala a toda a comunidade dos filhos de Israel. Tu lhes dirás: Sede santos, porque eu, Iahweh vosso Deus, sou santo. Cada um de vós respeitará sua mãe e seu pai. Guardai os meus sábados. Eu sou Iahweh vosso Deus” (Lv 19, 1-3).

Quando o pai desrespeita Deus, viola o Bom senso, viola a Razão, o filho não aprende esse mesmo Bom Senso, essa Razão, não conhece Deus, e então o filho não respeita o pai, o professor, ou qualquer outra autoridade, torna-se “marginal”. Essa é a experiência e a conclusão de qualquer magistrado da infância e da juventude.

Ser santo é ser saudável, integral, que não compromete a vitalidade, a organização, o desenvolvimento natural.

O problema do mundo moderno é que a doença se infiltrou de tal forma na sociedade, que é difícil reconhecer a sanidade, a santidade. Os profetas normalmente são tachados de loucos, pela divergência absurda entre sua Razão e aquela professada pela comunidade.

Nossa comunidade é o sapo na panela aquecida gradualmente. Segundo li em vários locais distintos (eu não faria isso com um animal), se colocarmos um sapo em uma panela com água fervendo, ele sente a mudança de temperatura e pula, salvando-se; mas se o colocarmos na água fria e esta for sendo aquecida até ferver, o sapo se acostuma com a temperatura e acaba não conseguindo depois sair da panela, e morre cozido.

Nossa sociedade está cozinhando a si mesma. Ainda há tempo para saltar para a Razão, mas em algum momento, ninguém sabe bem ao certo quando, só o Pai, será tarde demais…

Jesus e o jogo da Vida Eterna: verdade e consequência.

A vida, depois do nascimento humano, pode ser considerada um jogo de três fases, sendo a primeira a da plantação (preparação da semente e colocação na terra, a lavoura), a segunda a da colheita e a última a da destinação definitiva da produção.

Primeiro traçamos um objetivo, e então começamos a agir em vista desse fim, esperando atingi-lo. O alvo pode ser alcançado, ou não, dependendo de vários fatores, alguns pessoais, outros imponderáveis, tidos como variáveis ocultas além da incerteza, ou vontade de Deus. O resultado pode ser o previsto, como podem ocorrer surpresas negativas ou positivas.

O alvo pode ser chamado de meta, palavra de origem grega que significa “atrás”, “depois”. E o que está atrás, depois, é o que não se vê, pelo que é necessário acreditar que esse algo existe, ter fé. A ciência tem fé que por trás dos fenômenos existam leis.

Richard Feynman diz que a ciência deve afirmar verdades sobre questões não conhecidas, como na fé, o que coloca a ciência no mesmo patamar da religião.

Se as únicas leis são aquelas que decorrem de observações realizadas, não podemos fazer previsões. Mas a ciência só avança se fizer previsões, arriscando-se. (…) Temos de supor que as leis continuam valendo fora do domínio da observação. Não há problema nisso, exceto o fato de tornar a ciência um pouco incerta. Se você pensa que a ciência é feita só de certezas, está enganado” (In Sobre as leis da física. Rio de Janeiro: Contraponto: Ed. PUC-Rio, 2012, pp. 82-83).

Portanto, o jogo da vida é pautado por fé e obras, ou seja, ações atuais com base na fé de que haverá um futuro, se mantidas as regras do jogo. Assim, ao contrário do que o leigo acredita, a ciência é baseada na fé, na crença em uma ordem, uma lei de regência do cosmos.

Saliente-se que o agora, quando feita a previsão ou estabelecido o objetivo, é movimento e o futuro também, pois não existe na natureza o estático absoluto, o zero Kelvin, ou zero absoluto. Como diz Bohm, vivemos no holomovimento, em que toda abstração ou medição é arbitrária.

Conforme a visão adotada por Louis de Broglie, pela teoria de dualidade onda-corpúsculo da matéria, todas as coisas são campo e partícula, ou onda e partícula, não só os elétrons, mas também as pessoas, tudo curva o espaço-tempo além de seus limites aparentes.

Assim, não somos só corpo, e encerrada a vida particular, nosso campo irá se propagar, provavelmente em espiral para dentro ou para fora, em singularidade interna, como o buraco negro, ou externa, como o próprio cosmos.

No momento da morte, se a pessoa estiver preocupada consigo, o fim é encerramento da onda da pessoa em um mini buraco negro, isolada do resto.

As pessoas podem passar a vida a olhar para o espelho, vendo o demônio em si-mesmas sem perceber, ou para o céu estrelado, contemplando Deus, e quando a vida terminar, o destino é fatal, a inércia da alma está decidida. Por isso é bom e necessário sabermos da verdade.

Eis o que é bom e aceitável diante de Deus, nosso Salvador, que quer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade. Pois há um só Deus, e um só mediador entre Deus e os homens, um homem, Cristo Jesus, que se deu em resgate por todos. Este é o testemunho dado nos tempos estabelecidos e para o qual eu fui designado pregador e apóstolo — digo a verdade, não minto — doutor das nações na fé e na verdade” (1Tm 2, 3-7).

No jogo da vida, a terceira fase, decorrente de uma vida santa, é a vida eterna, com a graça de Deus, pois nem tudo acaba com a morte, e neste mundo deixamos inicialmente nossa memória.

Alguns não entendem a segunda e a terceira fases do jogo da vida, que podem ultrapassar o seu horizonte de eventos, o seu horizonte interpretativo material, ou tempo individual de vida.

A primeira fase é a da semente, que nem sempre brota aos olhos de quem plantou, às vezes são necessárias gerações para germinação, como está ocorrendo com os efeitos messiânicos da atividade de Jesus. Ou seja, nem sempre vemos todos os resultados de nossas ações, pois ainda vale a desordem do mundo, mas na era messiânica, de equilíbrio humanitário, a Justiça será visível e rápida, quem plantar vai colher.

Iahweh jurou pela sua destra e pelo seu braço vigoroso: ‘Não tornarei a dar o teu trigo como alimento aos teus inimigos, nem os estrangeiros tornarão a beber do teu vinho, aquele com que tu te afadigaste. Antes, aqueles que ceifaram o trigo o comerão, louvando Iahweh, aqueles que fizeram a vindima beberão o vinho nos meus átrios sagrados’” (Is 62, 8-9).

Já não haverá ali criancinhas que vivam apenas alguns dias, nem velho que não complete a sua idade; com efeito, o menino morrerá com cem anos; o pecador só será amaldiçoado aos cem anos. Os homens construirão casas e as habitarão, plantarão videiras e comerão os seus frutos. Já não construirão para que outro habite a sua casa, não plantarão para que outro coma o fruto, pois a duração da vida do meu povo será como os dias de uma árvore, os meus eleitos consumirão eles mesmos o fruto do trabalho das suas mãos. Não se fatigarão inutilmente, nem gerarão filhos para a desgraça; porque constituirão a raça dos benditos de Iahweh, juntamente, com os seus descendentes. Acontecerá então que antes de me invocarem, eu já lhes terei respondido; enquanto ainda estiverem falando, eu já os terei atendido. O lobo e o cordeiro pastarão juntos e o leão comerá feno como o boi. Quanto à serpente, o pó será o seu alimento. Não se fará mal nem violência em todo o meu monte santo, diz Iahweh” (Is 65, 20-25).

Desse modo, o problema da maioria das pessoas é o desconhecimento das regras do jogo da vida, pois apenas algumas são visíveis e palpáveis, como nos diz a ciência moderna, pela relatividade e orgânica quântica, sendo necessária muita abstração e inteligência para a compreensão do todo, do quadro maior, do contexto mais amplo, ou é necessária fé para isso. É preciso, para entender essas regras, desapego corporal, como nos diz o budismo, ou fé em Deus, como Realidade Espiritual, que inclui a vida material, nos termos do monoteísmo.

Uma das regras do jogo é o livre-arbítrio, que é respeitado por Deus, de modo que Ele não quer máquinas ou autômatos inconscientes, mas servos voluntários da Lei da Liberdade, que a todos beneficia, a alguns com algum proveito material momentâneo e a outros com a vida eterna, segundo a opção pessoal de cada um, o que é destacado também no Alcorão. A liberdade permite uma escolha de uma razão material ou espiritual, de um centro de gravidade para a vida, a lei da parte ou a Lei do Todo.

Daí porque o problema do mal é um problema decorrente da liberdade humana, a liberdade de aderir a uma razão material, que apenas entende o bem e o mal temporários, relativos aos sofrimentos ou prazeres deste mundo provisório (como destaca o bóson de Higgs nosso mundo está em transição); ou optar por uma metafísica da eternidade, em que os efeitos de nossos atos transcendem a mundidade e alcançam a singularidade cosmológica, além do espaço-tempo, para o bem coletivo. A paz de Espírito é um sentimento incomunicável e incomensurável, somente pode ser alcançada individualmente, mas seguindo o Caminho, a Verdade e a Vida, Jesus Cristo.

Deixo-vos a paz, minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo dá. Não se perturbe nem se intimide vosso coração” (Jo 14, 27).

A Paz de Cristo é espiritual, e não material, é alegria, e não prazer.

A liberdade pode levar ao cosmos, a harmonia celeste, o horizonte espiritual; ou ao egoísmo completo, o buraco negro, além do horizonte de eventos, além da possibilidade de uma fusão de horizontes interpretativos, uma razão particular ininteligível.

A origem do mal, historicamente, assim como a da humanidade, em termos concretos, tipificada na pessoa de Adão, está, por ora, além de nossa arqueologia histórica, mas não além de nossa capacidade intelectiva, pelo Logos; ainda que o horizonte material de eventos seja limitado, o horizonte espiritual não tem barreiras.

O mal é, como o bem, uma categoria humana de valor, e nós somos os autores de juízos de valor morais e também, embora somente em grau limitado, daqueles fatos que são submetidos ao julgamento moral” (Carl Gustav Jung. In AION – Estudos sobre o simbolismo do Si-mesmo. 2. ed. Petrópolis: Vozes, 1988, p. 44). Desse modo, não podemos julgar Deus pelos fatos deste mundo, que entendemos como maus, segundo nossa percepção material e limitada. O mal que existe para nós é o mal criado pela humanidade. Os demais eventos estão além de nossa compreensão, e não podem ser taxados bons ou maus, pois transcendem nossa categoria humana.

No jogo da vida, Jesus é o jogador perfeito, pois segue perfeitamente a norma perfeita, na medida que sua ação resgata a eternidade do Logos, da Lei, agindo assim na mente humana, restaurando a eternidade do Espírito, após a queda de Adão, abrindo novamente para nós o âmbito da causalidade vertical, além da irracionalidade deste mundo.

Causalidade Vertical é o termo adotado por Wolfgang Smith (In O Enigma Quântico: Desvendando a Chave Oculta. Trad. Raphael de Paola. Campinas, SP: Vide Editoral, 2011, capítulo VI), tentando explicar o colapso do vetor de estado, ou colapso da função de onda, que intriga os físicos. Smith sustenta que essa causalidade transcende os limites do tempo, relativa à dimensão espiritual da vida humana, citando ele o exemplo da arte. “O que está em jogo na autêntica arte é verdadeiramente uma imitatio Dei: o artista humano ‘toma parte’, em algum grau, no prodígio criador da Causa Primeira: ‘Todas as coisas foram feitas por Ele, e sem Ele nem uma coisa foi feita’ (Jo 1, 3)” (Op. cit p. 196).

Não há registro histórico material da queda de Adão além da tradição religiosa, o que não quer dizer que tal fenômeno não tenha ocorrido, sendo a disfunção da ideia humana material, separada da natureza, separada do cosmos, um indício, uma evidência, desse fato.

O jogo de Jesus é um jogo coletivo, dentro das normas sociais, e ele venceu esse jogo, tanto quanto à norma social humana, ditada por Roma, quando submeteu-se pacificamente à crucificação, mesmo não sendo criminoso, quanto à norma social divina, aceitando a acusação injusta formulada contra ele pelo sinédrio, o tribunal religioso e político da nação judaica, que estava preocupada com as ocupações materiais do templo, em detrimento da justiça, pois não era blasfemo, isso tudo para cumprimento das profecias messiânicas e da Lei. Suas ações ultrapassaram Sua Vida corporal, e o termo civilidade, no mundo ocidental, decorre dos ensinamentos de Jesus, ainda que não sejamos assim tão civilizados.

Praticar a justiça e o direito vale mais para Iahweh que os sacrifícios” (Pr 21, 3).

Não tenho prazer algum em vós, disse Iahweh dos Exércitos, e não me agrada a oferenda de vossas mãos” (Ml 1, 10).

O jogo da vida é de verdade e consequência, porque vivemos simbolicamente em um mundo causal, em que uma coisa gera outra, e a ciência é a busca pela causa dos fenômenos. Se causa for corretamente entendida, verdadeira, o efeito, a consequência, será necessário. A regra do jogo da vida é a causalidade.

Pilatos lhe disse: ‘Então, tu és rei?’ Respondeu Jesus: ‘Tu o dizes: eu sou rei. Para isso nasci e para isto vim ao mundo: para dar testemunho da verdade. Quem é da verdade escuta a minha voz’” (Jo 18, 37).

Jesus veio restabelecer a verdade, corrompida pelo pecado de Adão, ao comer o fruto do conhecimento do bem e do mal.

O conhecimento do bem e do mal é o conhecimento da causalidade material, limitada pela velocidade da luz, que é o mais rápido que uma informação pode ser materialmente trocada. Segundo o entendimento da relatividade de Einstein, nada pode ser feito, nada pode ser causado, acima da velocidade da luz; além disso, para a luz não há causalidade, na medida em que a troca de informação na velocidade da luz é instantânea, na perspectiva da própria luz.

Assim, Lúcifer, que está limitado à velocidade da luz, influenciou o homem, cujo pensamento transcende a velocidade da luz, por ser imaterial (ou de uma matéria/energia que não está restrita à velocidade da luz), a antecipar o seu conhecimento do bem e do mal, ou seja, à causalidade, aos efeitos de suas ações sobre o meio em que vivia, sobre a natureza.

Desse modo, o homem ficou preso à causalidade material, sendo que apenas o pensamento, por ser mais rápido que a luz, pode perceber a causalidade, na medida em que se conecta ao Todo atemporal. Mas a mente humana ficou presa à matéria e à velocidade da luz, presa a Lúcifer, esquecendo sua natureza divina, santa, e a possibilidade de um pensamento atemporal, integral. Os filhos de Adão, após a queda, ficaram com a mente partida, separada de Deus, limitada à causalidade do espaço-tempo finito, e hoje o mundo jaz nessa perspectiva limitada, que é maligna, impedindo a plenitude da vida.

Nós sabemos que todo aquele que nasceu de Deus não peca; o Gerado por Deus o guarda e o Maligno não o pode atingir. Nós sabemos que somos de Deus e que o mundo inteiro está sob o poder do Maligno. Nós sabemos que veio o Filho de Deus e nos deu a inteligência para conhecermos o Verdadeiro. E nós estamos no Verdadeiro, no seu Filho Jesus Cristo. Este é o Deus verdadeiro e a Vida eterna. Filhinhos, guardai-vos dos ídolos…” (1Jo 5, 18-21).

Jesus Cristo transcendeu a causalidade material, atingindo a Ideia, o Espírito Absoluto, o pensamento integral, como a verdadeira realidade, ou seja, o pensamento separado é a causa do mal. Diabo significa o que desune, causa separação. A Ideia é responsável pela causalidade vertical, válida na orgânica quântica, a qual está além da relatividade einsteniana.

A causalidade do Todo traz consigo a significação do Todo, transferindo sentido além do espaço-tempo, além da matéria, além da parte, liga-se ao Logos.

Ao superar a vida instintiva, o homem, Adão, criou uma nova possibilidade de ação, um novo tempo, que não existia na natureza, guiada pela velocidade da luz e pelo instinto, até então pela inconsciência.

Com a transcendência da velocidade da luz, o homem atingiu o nível da causalidade, da conexão entre os eventos, que na vida instintiva ocorrem automática e instantaneamente. Os animais não têm a noção de tempo como nós.

Adão se antecipou, e comeu o fruto antes da hora, sem a consciência adequada, e por isso o pensamento ficou preso à matéria, transformou-se em pensamento material, ligado à causalidade material, horizontal, e atingiu uma automaticidade causal, pelo egoísmo, pelo instinto de razão própria, as causas e efeitos pessoais, locais.

Jesus retomou o controle do pensamento em favor da razão social, o restabelecimento da ordem em que o homem volta à Vida, à natureza completa, em sua evolução coletiva e integral, o ciclo global da vida, além do ciclo individual. O ciclo do alfa ao ômega, em sentido total, do início ao fim, conscientemente, pelo Logos, conforme o movimento pleno da vida, o holomovimento.

Causalidade é troca de informação, fótons ou elétrons, e para haver troca é necessária uma inteligência anterior, superior, o Logos, que permite essa troca, o câmbio, a conversão comum de coisas distintas.

O elo que traduz a informação, permitindo a troca, é o Logos, que é a Unidade do Todo, e torna possível a conversibilidade da informação, da troca.

O Logos estava no princípio, na singularidade inicial, antes que pudesse fazer sentido a relatividade de Einstein, e continua dando Unidade ao Cosmos, além do espaço-tempo, além da matéria.

O Logos é o tradutor universal, e dá significado à causalidade, além da velocidade da luz, além do espaço-tempo, na eternidade do Todo, dá o sentido do holomovimento, na inércia do Todo depois de criado, na vontade de Deus, o Criador do movimento. Já dizia o poeta: “Tudo que move é sagrado”.

Adão substituiu a causalidade do todo inconsciente pela causalidade da parte consciente, egoísta, o conhecimento do bem e do mal, tendo Jesus restaurado a causalidade do Todo, conscientemente. Jesus significa “Deus Salva”. Deus é o Todo, e mais que o Todo.

Hegel entendeu, no âmbito da filosofia, o que significou a salvação levada a efeito por Jesus, mas a comunidade, a igreja, a ekklesia, ainda não incorporou Seu Espírito:

Mas o que nela (na consciência da comunidade) entra como presente, como o lado da imediatez e do ser-aí, é o mundo, que ainda tem de aguardar sua transfiguração. Certamente em si, o mundo está reconciliado com a essência; e da essência, sabe-se bem que não conhece mais o objeto como alienado de si, mas como igual a si no seu amor. Mas, para a consciência-de-si, essa presença imediata não tem ainda figura-de-espírito. Assim está o espírito da comunidade, em sua consciência imediata, separado de sua consciência religiosa, que na verdade declara que essas consciências não estão separadas em si. Mas é um Em-si que não se realizou, ou que ainda não se tornou igualmente ser-para-si absoluto” (In Fenomenologia do espírito. Trad. Paulo Meneses. 8 ed. Petrópolis, RJ: Vozes: Bragança Paulista: Editora Universitária São Francisco, 2013, p. 516).

A salvação já ocorreu na ideia, mas o mundo, a sociedade religiosa, espera a Parusia, a presença divina de Deus entre/em nós, por meio da transfiguração do mundo. Mas essa transfiguração depende do arrependimento, da mudança da vida comunitária, de modo que a presença de Deus no mundo se faça por meio de nós, usando de nossa liberdade para sermos servos do Senhor, de Deus, do Todo, submissos, muçulmanos. Deus tem que passar de fora para dentro do homem, como motor das ações humanas, para que o Espírito Santo aja em nós.

A Parusia não se confunde com o Juízo Final, pois aquela corresponde à efetivação do Reino de Deus, quando todas as coisas serão restauradas na humanidade, pela humanidade, com a presença do Espírito de Deus no coração dos homens, e somente após a restauração, quando a consciência for estabelecida no nível mundial coletivo, virá o Juízo. Deus é justo, e não fará um Julgamento de pessoas inconscientes e desinformadas, ele permitirá a adesão voluntária de todos ao Seu Reino, na Parusia, e somente depois disso fará o Seu Justo Julgamento, por meio Cristo, após o milênio, período este no qual o enganador, Satanás, será aprisionado (Ap 20, 2; 7-15). A humanidade viverá a verdadeira ciência, o monoteísmo cristão, sem enganação.

A causalidade da parte, ou casualidade horizontal, é material, local e limitada à velocidade da luz, enquanto a causalidade do Todo, ou causalidade vertical, é imaterial, não local, não tendo limitação no espaço-tempo.

A causalidade vertical é causalidade própria, a exteriorização de si-mesmo, o centro virtual do inconsciente coletivo, virtual pois está em toda parte, enquanto a causalidade horizontal é alienada de um sentido maior. O jogo da vida é o jogo da causalidade própria, em que cada um deve exteriorizar o seu centro, que seja compatível com o Logos, o sentido coletivo.

O jogo da vida é simbólico, e o nomeador, ou normatizador, conforme Platão no Crátilo, o colocador dos nomes, o que dá nome e significado aos símbolos, às coisas, aos fenômenos, quem conta a História verdadeira, é quem usa todas as palavras coerentemente, o filósofo, pelo Logos. Quem pode dar nome às coisas é aquele que põe nome em todas as coisas de forma lógica, o Cristo, o Ungido com o Espírito.

A causalidade horizontal está fora da eternidade, pressupõe uma divisão, um limite. A divisão cartesiana é um limite, e a filosofia deve jogar o jogo simbólico com todas as palavras, todos os símbolos, sempre que possível respeitando os seus primeiros significados.

O pecado original é a separação do todo, a vida apenas com causalidade horizontal e material. Após Adão, essa passou a ser a forma da causalidade humana.

Jesus restaurou a unidade intelectual de todas as coisas, o Logos, vivendo a causalidade vertical, do Todo, e foi salvo por Deus, ressuscitando primeiro, como recompensa por sua vida digna e santa. Assim, toda a vida de Jesus foi sem o pecado original; por ser judeu, viveu o que então era o monoteísmo verdadeiro, a Lei do Todo, na plenitude dos tempos, quando sua mensagem poderia ser globalizada, no período romano, sendo sua mensagem ao longo dos tempos incorporada ao direito romano, tornando-se universal, pela melhor interpretação do constitucionalismo moderno.

E essa ideia permitiu, como um dos efeitos de sua Vida, a restauração do Estado de Israel, cumprindo uma das funções do Messias, através da causalidade vertical, do sentido total da história.

Ainda que cada pessoa seja singular e cada evento um fenômeno único, incomensurável, com o Logos é possível a universalidade, a comunicação, que depende do contexto e das variáveis ocultas, a boa-fé/má-fé dos participantes, sua honestidade/desonestidade, no discurso, em relação à pragmática. O monoteísmo autêntico é honesto, e deve superar as diferenças entre judeus, muçulmanos e cristãos, para a unidade da fé e adoração do Deus Verdadeiro, o Logos, pelo Logos.

A luz indica um eterno presente para si, o mesmo podendo ser dito da vida instintiva, em que não há sujeito ou objeto, mas instinto. Com Cristo, o tempo também se altera, para a eternidade do movimento, pela fluência da lei, no Reino de Deus, o tempo individual se transforma em coletivo, o sujeito se transforma em objeto do Sujeito, da Lei, torna-se servo e, assim, senhor, em uma unidade ontológica com o Cosmos.

Cada um de nós pode escolher em qual singularidade terminará sua existência, no buraco negro do isolamento, a eternidade solitária, ou no cosmos em permanente expansão, a eternidade da vida coletiva e plena.

A Verdade de nossa existência, egoísta ou solidária, define a consequência de nossas ações, para nós mesmos, na eternidade, de vida ou de morte, a última fase do jogo da vida.

Ciência: a luta do cosmos contra o caos

Ciência é conhecimento racional integral, o que inclui uma teoria de ordem, harmonia, organização. Pressupõe, assim, uma metafísica, teoria que explica todos os fenômenos.

Desde o princípio da ciência no ocidente, com os antigos gregos, a questão de ordem do universo era essencial, podendo ser citados dois paradigmas principais, um materialista, com o exemplo de Demócrito descrevendo o universo composto por átomos, as menores peças das quais todas as demais coisas seriam formadas, e um idealista, com o exemplo de Platão, defendendo a existência de corpos ideais como suporte da realidade.

O começo da bíblia é justamente a criação do universo e a intervenção de Deus, ditando a ordem cósmica, “a terra estava vazia e vaga, as trevas cobriam o abismo, e um sopro de Deus agitava a superfície das águas” (Gn 1, 2), até que a palavra de Deus agiu criando a luz e a ordem.

Ciência, como filosofia, é amor ao conhecimento e à verdade. Direito é amor à Justiça, Deus, que é Correto e Íntegro. Ciência é conhecimento de Deus, da Ordem Cósmica, e o seu maior conhecedor é Jesus Cristo. Relevante, fundamental, indispensável, então, é entender Deus e seu significado.

“No princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus. No princípio, ele estava com Deus. Tudo foi feito por meio dele e sem ele nada foi feito. O que foi feito nele era a vida, e a vida era a luz dos homens; e a luz brilha nas trevas, mas as trevas não a apreenderam” (Jo 1, 1-5).

O Verbo é o Logos, a Razão, a raiz de todas as coisas, o princípio de tudo o que existe. Tudo o que existe para o homem existe como conceito, como expressão simbólica, e o Logos, o Verbo, é o que distingue a humanidade, enquanto ser linguístico, comunicacional. Deus é a Razão última de todas as coisas, visíveis e invisíveis, incluindo as psíquicas e espirituais, e quando Jesus viveu entre os homens, Ele manifestou a Razão de Deus, a Lei da Vida, não no aspecto mundano, mas como Vida Racional, como razão da própria Vida, que contém em si a morte carnal, em que um ser vivo substitui outro no ciclo da evolução.

O problema científico moderno é um problema ideológico, na medida em que a metafísica materialista de Demócrito não foi sustentada pela física moderna, seja pela relatividade ou pela orgânica quântica; mas, ainda assim, esse tema não é devidamente expresso pela comunidade científica.

Segundo David Bohm, pela metafísica a ideologia, como conjunto de ideias, responde à questão sobre o que são as coisas com a resposta “tudo é x”, e “x” define a ideologia. Para o materialismo, tudo é matéria. Para o idealismo, tudo é inteligência, logos.

A partir do materialismo, defende-se uma ciência material, com incidência dos princípios científicos valendo segundo uma ordem material. Ciência é ordem. Contudo, veio o século XX e a ciência disse: materialmente é impossível definir a ordem das coisas, pois vale o princípio da incerteza. Assim, para a ideologia materialista, na verdade, não existe ordem, mas caos, acaso, e para mascarar essa verdade, usa-se o eufemismo da probabilidade. Acaso significa sem causa. Portanto, a ciência materialista é caótica, pois não permite definir a causa das coisas.

Stephen Hawking, o arauto do ateísmo materialista moderno, afirma que “na teoria quântica, a capacidade de fazer previsões exatas é apenas a metade do que era na visão de mundo clássico de Laplace. Todavia, dentro desse sentido restrito, ainda é possível afirmar em determinismo” (In O universo numa casca de noz. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2009, p. 108). Nesse ponto ele deturpa o conceito de determinismo, para tentar manter sua posição científica, como a ideia de uma mulher meio grávida.

Portanto, a ideologia materialista capenga insiste em tentar se impor como verdade, mesmo não havendo coerência interna em seus argumentos e conceitos, segundo os dados obtidos no século XX.

Resta a metafísica idealista, que insiste na existência de uma ordem intelectual, espiritual, e sua expressão monoteísta implica na existência da Providência, de uma causalidade espiritual, superior, que existe efetivamente, ainda que não possa ser sempre entendida pela humanidade. Tal proposta é compatível com a ideia de Louis de Broglie, vencida em 1927 em Solvay (quando o dogma da incerteza foi convencionado, estabelecendo as bases para o que viria a ser a interpretação de Copenhague da física quântica, sua visão ortodoxa), mas retomada por David Bohm, sobre a possibilidade de existência de uma onda piloto e de variáveis ocultas regendo o comportamento material, ou seja, de que existe uma energia inteligente oculta controlando a matéria. E essa onda piloto pode ser entendida como o Logos, sendo o Cristo sua manifestação humana e visível, que “pegou” a onda piloto, e, para tanto, morreu na cruz, ressuscitando em seguida. Jesus experimentou o colapso da partícula, mas permaneceu como campo, campo que  permeia todo o espaço-tempo em unidade lógica, como Logos.

Para culminar sua extravagância “filosófica”, Hawking ainda afirma que as “teorias de ‘variáveis ocultas’ preveem resultados em desacordo com as observações. Mesmo Deus está limitado pelo princípio da incerteza e não pode conhecer a posição e a velocidade; Ele só pode conhecer a função de onda” (Op. cit., p. 107). Tal afirmação, além de conter a visão de uma ameba julgando o conhecimento humano, não é honesta cientificamente. Marcelo Gleiser, na obra que me indicou o trabalho de David Bohm, informa que a teoria das variáveis ocultas “produz os mesmos resultados da mecânica quântica”, que as “duas teorias fazem as mesmas previsões e não existe uma possibilidade de distinção”, optando ele pela mecânica quântica sem uma onda-piloto por ser “bem mais simples” (In A ilha do conhecimento: os limites da ciência e a busca por sentido. Rio de Janeiro: Record, 2014, p. 229).

A filosofia de Hegel, de origem cristã, decorre de uma metafísica que poucos alcançam, pelo grau de abstração e rigor lógico, seguindo o idealismo. O hegelianismo é como uma língua estrangeira para a maioria das pessoas. Hegel superou Kant ao eliminar a separação sujeito-objeto, na medida em que o sujeito se torna o objeto no momento do entendimento, sendo ele mesmo intelectualmente a coisa em si, em um todo lógico, mas o paradigma kantiano permanece reinando como pressuposto filosófico da ciência moderna.

A prova do acerto da filosofia de Hegel coube à física quântica, ao demonstrar que o observador e o observado se tornam uma só coisa no momento da medição/observação, um só fenômeno lógico, cuja consequência levaria materialmente ao princípio da incerteza de Heisenberg, princípio que impede a teoria materialista de seguir uma verdadeira ordem. Segundo este físico:

“Independentemente da decisão última, podemos mesmo afirmar agora que a resposta final (sobre a equação fundamental da matéria) estará mais próxima dos conceitos filosóficos expressos, por exemplo, no Timeu de Platão do que dos antigos materialistas. Tal fato não deve ser mal compreendido como um desejo de rejeitar de maneira muito leviana as ideias do moderno materialismo do século XIX, o qual, uma vez que pôde trabalhar com toda a ciência natural dos séculos XVII e XVIII, abarcou um conhecimento muito importante de que carecia a antiga filosofia natural. Não obstante, é inegável que as partículas elementares da física de hoje se ligam mais intimamente aos corpos platônicos do que aos átomos de Demócrito. (…) E, desde que a estrutura matemática é, em última análise, um conteúdo intelectual, poderemos afirmar, usando as palavras de Goethe no Fausto, ‘No princípio era a palavra’ – o logos. Conhecer este logos em todas as suas particularidades, e com total clareza em relação à estrutura fundamental da matéria, constitui a tarefa da física atômica de hoje e de seu aparelhamento infelizmente muitas vezes complicado” (In Problemas da Física Moderna, 3 ed., São Paulo: Perspectiva, 2011, pp. 26-27).

Não sei se foi proposital a não citação do evangelho de são João por Heisenberg, mas essa omissão indica muito bem o nível de obscurecimento que rege a comunidade científica de hoje. A própria física é limitada em seu conhecimento e as teorias demoram tempo para sua demonstração, como a relatividade de Einstein, que agora teve mais uma comprovação, com as ondas gravitacionais. Deve-se ressaltar, contudo, que a relatividade trata de quatro dimensões e é materialista, ignorando 95% (noventa e cinco por cento) do universo conhecido, que é desconhecido, na medida que essa ciência parcial desconhece a matéria escura e a energia escura, responsáveis pelo citado percentual da energia cósmica (95%).

E comprovando o que se diz sobre a incapacidade de a ciência moderna explicar o mundo, pode-se citar a famosa frase de Richard Feynman: “posso afirmar com segurança que ninguém entende a mecânica quântica” (In Sobre as leis da física. Rio de Janeiro: Contraponto: Ed. PUC-Rio, 2012, p. 135). Não se entende a mecânica quântica porque a física quântica é não materialista e indica uma quinta dimensão não local e atemporal, sendo melhor falar orgânica quântica, porque o universo é um todo orgânico, e o Logos é sua mente.

A igreja acadêmica está encerrada em sua dogmática fragmentária, de base cartesiana e materialista, e ontologicamente incorreta. Contudo, a orgânica quântica trabalha com o conceito de unidade e demonstra a inter-relação mente e matéria, de modo dar um giro em direção às ciências do espírito, enquanto a tradição científica continua enclausurada numa metafísica esquizofrênica e partida da realidade. Newton uniu a matéria terrestre à celeste; Einstein juntou espaço e tempo; e Bohm conectou o corpo ao espírito, a res extensa à res cogitans, pelas ciências físicas, seguindo o que Hegel havia feito na filosofia.

O apego materialista, que rejeita o espírito, já havia sido profetizado. Mas esse materialismo chegou ao seu limite filosófico no princípio da incerteza, que impede o reconhecimento de uma ordem material; os desastres humanos, sociais e ambientais que vemos hoje são o resultado dessa falsa ciência, desse falso profeta.

“Deste modo, o espírito humano mergulhou profundamente no mundo sublunar da matéria, repetindo, assim, o mito gnóstico do Nous o qual, contemplando a sua imagem nas profundezas, desceu às regiões inferiores, onde foi enlaçado e tragado pela ‘physis’ (natureza). O clímax desta evolução é representado, respectivamente, pelo Iluminismo francês, no século XVIII, pelo materialismo científico, no século XIX, e, no século XX, pelo “realismo” político e social que faz o curso da história regredir dois mil anos, trazendo de volta o despotismo, a negação dos direitos do indivíduo, a crueldade, o aviltamento da pessoa humana e a escravidão do mundo pré-cristão, cujo ‘labour problem’ (problema trabalhista) foi solucionado com o ‘ergastulum’ (prisão e confinamento de escravos). A ‘inversão de todos os valores’ se opera abertamente diante de nossos olhos.

Parece que tal evolução, indicada aqui em poucas palavras, foi antecipada na simbologia medieval e na gnóstica como o Anticristo no Novo Testamento” (Carl Gustav Jung, in AION – Estudos sobre o simbolismo do Si-mesmo. 2. ed. Petrópolis: Vozes, p. 222).

Sobre o restabelecimento da ordem cósmica, com a vinda de Jesus Cristo na parusia, são Paulo, na segunda carta aos Tessalonicenses, no segundo capítulo, relata que antes da vinda do Senhor seria necessário ocorrer a apostasia, a separação religiosa. “Antes daquele dia virá a apostasia, e, então, será revelado o homem do pecado, o filho da perdição” (2Tes 2, 3). O filho da perdição se autoproclamará Deus, como a ciência moderna faz, declarando a morte de Deus e reconhecendo-se como senhora da verdade.

Assim, a explicação de tal passagem profética pode ser feita da seguinte forma. Antes da parusia vem a apostasia. O que detém o filho do pecado é não haver apostasia. Portanto, a separação cartesiana, a separação entre vida religiosa e vida civil, a apostasia, é o que permite a revelação do homem do pecado, do filho da perdição, o anticristo, que é o modelo de “homem” que a cultura materialista, principalmente ocidental, promove.

Portanto, enquanto o homem religioso não viver a sua verdadeira religião, continuará reinando o príncipe deste mundo, que ideologicamente é o capitalismo selvagem, o egoísmo individual e social, sem Direito, sem Justiça. A solução é uma só, que os judeus sejam judeus; os muçulmanos, muçulmanos; e os cristãos; cristãos; mas verdadeiramente, seguindo a Verdade, Jesus, que é o judeu padrão, ortodoxo, testemunha fiel do espírito da Lei; e o muçulmano modelo, é submisso às Ordens divinas, à Lei de Deus, integralmente, até a morte. Como somos a maioria absoluta da população mundial, basta seguirmos o melhor da nossa religião para restaurarmos a ordem cósmica, realizando o Reino de Deus, sendo a Parusia Sua presença em nós: “O Reino de Deus está no meio de vós” (Lc 17, 21).

“Não perverterás o direito do estrangeiro e do órfão, nem tomarás como penhor a roupa da viúva. Recorda que foste escravo na terra do Egito, e que Iahweh teu Deus de lá te resgatou. É por isso que eu te ordeno agir deste modo. Quando estiveres ceifando a colheita em teu campo e esqueceres um feixe, não voltes para pegá-lo: ele é do estrangeiro, do órfão e da viúva, para que Iahweh teu Deus te abençoe em todo trabalho das tuas mãos. Quando sacudires os frutos da tua oliveira, não repasses os ramos: o resto será do estrangeiro, do órfão e da viúva. Quando vindimares a tua vinha, não voltes a rebuscá-la: o resto será do estrangeiro, do órfão e da viúva. Recorda que foste escravo na terra do Egito. É por isso que eu te ordeno agir deste modo” (Dt 24, 17-21). Os palestinos são estrangeiros no atual território de Israel, não sendo devidamente respeitados.

A Torá e o Alcorão, este expressamente afirmando que apenas veio confirmar a Torá e o Evangelho, possuem um Direito essencialmente voltado à proteção dos necessitados: o pobre, o órfão e a viúva; pois não havia direito previdenciário naquelas épocas, não existia pensão ou benefício assistencial.

“Não oprimais a viúva, o órfão, o estrangeiro e o pobre, não trameis o mal em vossos corações, um contra o outro” (Zc 7, 10).

“Assim fará todo o natural dentre o vosso povo, quando oferecer uma oferenda queimada em perfume agradável a Iahweh. E se algum estrangeiro residir convosco, ou com os vossos descendentes, oferecerá uma oferenda queimada em perfume agradável a Iahweh: como fizerdes, assim fará. a assembleia. Haverá somente um estatuto, tanto para vós como para o estrangeiro. É um estatuto perpétuo para os vossos descendentes: diante de Iahweh, será tanto para vós como para o estrangeiro. Haverá somente uma lei e um direito, tanto para vós como para o estrangeiro que habita no meio de vós’” (Nm 15, 13-16).

“A sentença será entre vós a mesma, quer se trate de um natural ou de estrangeiro, pois eu sou Iahweh vosso Deus” (Lv 24, 22).

Em Isaías 56, os estrangeiros são convidados a tornarem-se servos de Iahweh, pois sua casa será “chamada casa de oração para todos os povos” (Is 56, 7).

“Se, ao contrário, eles depuserem as armas, e não vos combaterem, e vos oferecerem a paz, Deus não vos permitirá mais hostilizá-los” (Sura 4: 90).

“E não disputeis com os adeptos do Livro senão com moderação, salvo os que prevaricam. E dizei: ‘Cremos nos que nos foi revelado e no que vos foi revelado. Nosso Deus e vosso Deus é o mesmo. A Ele nos submetemos’” (Sura 29: 46).

“Se eles se inclinarem para a paz, inclina-te para ela também e confia em deus. Ele ouve tudo e sabe tudo” (Sura 8: 61).

“Servos do Clemente são aqueles que caminham mansamente pela terra, e quando os ignorantes se dirigem a eles, respondem: ‘Paz!’” (Sura 25: 63).

“Nós tivemos os nossos pais segundo a carne como educadores, e os respeitávamos. Não haveremos de ser muito mais submissos ao Pai dos espíritos, a fim de vivermos?” (Hb 12: 9). Cito essa passagem porque muçulmano significa submisso, servo.

“Ficaram em silêncio, porque pelo caminho vinham discutindo sobre qual era o maior. Então Ele, sentando-se, chamou os Doze e disse: “Se alguém quiser ser o primeiro, seja o último de todos e o servo de todos” (Mc 9, 34-35).

“Pois o que é loucura de Deus é mais sábio do que os homens, e o que é fraqueza de Deus é mais forte do que os homens” (1 Co 1, 25).

Uma ciência loucamente divina é mais sábia que a dos homens.