Jesus: Deus Salva

O nome Jesus significa Deus Salva, e essa é uma das mensagens ensinadas por Jesus Cristo. Ele fez sua parte, cumpriu suas obrigações como Messias e Deus O Salvou, ressuscitando-o antecipadamente.

O mesmo vale para nós, pois Deus é fiel. Nós fazemos a nossa parte e Deus faz a Dele. Como existe uma unidade entre nós e mundo, a forma como agimos sobre o mundo implica em reação do mundo sobre nós, mas existe um retardo nessa reação, que não depende de nós, mas de Deus, o Único que sabe quando ressuscitaremos. O tempo de reação é de Deus. “Não digas: vingar-me-ei do mal; espera por Iahweh e ele te salvará” (Pr 20, 22).

Deus prometeu sucesso àqueles que cumprem Seus mandamentos.

Guardarás as ordens de Iahweh teu Deus, andando em seus caminhos, observando seus estatutos, seus mandamentos, suas normas e seus testemunhos conforme estão escritos na lei de Moisés, a fim de seres bem sucedido em tudo quanto empreenderes e em todos os teus projetos. Para que Iahweh cumpra a promessa que me fez, dizendo: ‘Se os teus filhos conservarem boa conduta, caminhando com lealdade diante de mim, de todo o seu coração e de toda a sua alma, jamais te faltará alguém no trono de Israel’” (1Rs 2, 3-4).

A situação do mundo é caótica porque vivemos o tempo do anticristo, em que os mandamentos são simplesmente ignorados, além de violados. O mundo está caótico porque somos desordeiros, como espécie.

Isso decorre do fato de que não somos ilhas, não estamos isolados no mundo, mas estamos no mundo, que é governado por Deus, pelo Logos. Esse Logos indica uma unidade dos fenômenos, uma relação entre tudo o que existe, além de nossa capacidade material de compreensão.

Modernamente, a física quântica demonstra essa situação nos níveis mais básicos da natureza, pois os processos atômicos “são essencialmente determinados pela interação dos objetos em questão e dos instrumentos de medida necessários à definição dos projetos experimentais” (Niels Bohr. Física atômica e conhecimento humano: ensaios. Trad. Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Contraponto, 1995, p. 32).

Nossos corpos são “instrumentos de medida” que interagem com o mundo à nossa volta, e tanto somos moldados pelo mundo como o moldamos. O tempo atual é reflexo do mundo que moldamos.

Niels Bohr fala do caráter complementar das informações distintas sobre o mesmo objeto, como na hipótese de uma análise corpuscular e uma análise ondulatória dos fenômenos físicos, dizendo que existe uma “relação complementar entre as diferentes experiências sobre o comportamento dos corpúsculos atômicos” (Idem, p. 33). O renomado físico afirma que a interação é uma qualidade básica dos fenômenos atômicos.

A globalidade essencial de um fenômeno quântico propriamente dito encontra sua expressão lógica, com efeito, na circunstância de que qualquer tentativa de subdividi-lo, de maneira bem definida, exigiria uma alteração do arranjo experimental que seria incompatível com o surgimento do próprio fenômeno” (Idem, p. 92).

Essa globalidade dos processos atômicos “impede a distinção entre a observação dos fenômenos e o comportamento independente dos objetos, característica da concepção mecanicista da natureza”, sendo que na escala dos objetos usuais as ações “são grandes o bastante para permitir que se despreze a interação dos objetos e dos corpos usados como instrumentos de medida” (Idem, p. 124). Além disso, “a noção de complementaridade refere-se diretamente à nossa posição de observadores, num campo da experiência em que a aplicação inambígua dos conceitos usados na descrição dos fenômenos depende essencialmente das condições de observação” (Idem, p. 126).

O princípio da complementaridade tem relação com o princípio da incerteza, pelo qual se entende que a forma de observação leva à modificação do que é observado, ou seja, o simples fato de estarmos no mundo altera o mundo em si. O modo pelo qual observamos o mundo, o arranjo experimental que usamos, condiciona o mundo que vemos. Portanto, devemos estar bem no mundo, ver o mundo com bondade e agir com bondade, para mudar o mundo para melhor.

Além disso, o princípio da incerteza também significa que eu não estou no controle do mundo, e sim Deus está, eu não tenho controle, mas Deus o tem. Existe uma ordem no mundo que foge ao meu controle. Eu não posso me salvar, mas Deus pode.

Isso, a existência de ordem apesar da incerteza material, é uma prova de que Deus é amor, que é união espiritual, é Espírito, a unidade do Logos, imanente e transcendente à natureza, pois além das aparências existe uma ordem maravilhosa no universo.

Os céus contam a glória de Deus, e o firmamento proclama a obra de suas mãos” (Sl 19, 2).

A ciência, nesse sentido, é a unidade da razão. A gravidade funciona, mas não sabemos o que é, apenas como funciona, o que também vale para a energia escura e para a matéria escura. O Espírito, do mesmo modo, opera em nós sem que o saibamos, “pois é Deus quem opera em vós o querer e o operar, segundo a sua vontade” (Fl 2, 13). Desse modo, ao procurarmos seguir a Vontade de Deus, é o próprio Deus que opera em nós, pois Ele quer que todos se salvem.

Mas Ele também nos deu a liberdade para agirmos sem seguir Suas Leis, e o mundo atual mostra as consequências desse comportamento.

Assim como existe entropia no universo, em que a desordem aparentemente aumenta, as próprias leis da natureza indicam uma ordem que permanece e aumenta de complexidade, tanto no nível material como no nível biológico, e a própria vida humana é o maior exemplo disso, pois o corpo humano é o organismo mais complexo do universo, e mais complexo ainda é o corpo da humanidade, o Corpo de Cristo, tão complexo que muitos ainda não o entendem, pensando que os indivíduos são separados uns dos outros.

A civilização moderna passa um momento de transe, de mudanças, está doente. Ao mesmo tempo em que Iahweh é o Deus Justo e Alá é o Deus Clemente e Misericordioso, o Estado de Israel não respeita o Direito Internacional e o radicalismo Islâmico mata as pessoas numa “guerra santa” que nem mesmo os muçulmanos entendem. Os que se dizem filhos de Abraão, e mesmo os que se dizem cristãos, matam-se sem perceber que aniquilam seus próprios irmãos.

Essa contradição inerente à vida decorre de nossa liberdade e da ambiguidade existente no universo, que é regido ao mesmo tempo pelo princípio da entropia e pelo aumento da complexidade:

o universo tende à entropia geral, isto é, à desordem máxima e, de outro lado, revelava-se que neste mesmo universo as coisas se organizam, se complexificam e se desenvolvem” (Edgar Morin. Introdução ao pensamento complexo. Tradução Eliane Lisboa. 4. ed. Porto Alegre: Sulina, 2011, p. 61).

Segundo o paradigma da complexidade “chega-se à visão de um mundo invisível mais real que o mundo real, já que está fundado sobre a ordem, e nosso mundo real tende a se tornar um pouco, como na filosofia hinduísta, o mundo das aparências, de maya, das ilusões, dos epifenômenos” (2011, p. 103) (G. nosso).

A essa conclusão de grande atualidade da ciência, o apóstolo de Cristo, Paulo, já havia chegado há séculos e séculos:

Não olhamos para as coisas que se veem, mas para as que não se veem; pois o que se vê é transitório, mas o que não se vê é eterno” (2Cor 4: 18).

Destarte, mesmo com a entropia e a expansão do universo, sempre existiu uma unidade racional, a coerência da atuação da energia escura, a Lei da Natureza, a vida em evolução, sendo que em Jesus de Nazaré essa coerência foi manifestada e realizada na humanidade, numa Razão que somente agora foi explicada pela física quântica e pela relatividade, a mesma Razão que ocorreu após a criação e fez o desenvolvimento do Universo, o Logos.

Jesus de Nazaré equilibrou sua radiação corporal com a radiação da energia escura, que é a frequência vibratória da onda que vai do Big Bang à eternidade, Ele literalmente entrou na onda do universo [cujo comprimento de onda é um ponto, ou tende para um ponto ou zero – 0, sendo sua frequência infinita ou tendente ao infinito (para fins humanos atuais poderia ser usado o número de 28 bilhões de parsecs – o diâmetro do universo conhecido, o que é praticamente infinito para um homem)], viveu no fluxo da Energia Primordial, que vai do Início ao Fim, o Espírito Santo estava com ele, a mesma energia das superforças que criou o universo. Essa força, assim, tem pressão infinita, pois é a força que expande todo o Universo, para todas as direções, para além do espaço e do tempo. Ele tem o dom da Vida, pois a Energia Primordial, a Luz Divina, é capaz de alterar as cores dos quarks, mudando a “matéria”, mudando o campo de Higgs, pode criar a vida e, consequentemente, o DNA humano. Jesus Cristo atingiu o nível máximo de interação cósmica, pois age conforme a Unidade cósmica, o Logos.

A missão de cada um de nós, como Cristãos, é seguir o Caminho de Jesus, ou seja, alinharmo-nos com Deus, com a Razão, com o Logos, para que Deus nos salve, como salvou a Jesus Cristo. Devemos agir ordeira e solidariamente em relação ao mundo, para recebermos uma resposta ordeira e solidária do mundo.

Cabe a cada um de nós construir a unidade de todos nós, cada um a seu modo, de sua perspectiva única como observador cósmico, mas na Unidade do Espírito, seguindo o Logos. Como na complementaridade, as nossas ciências se complementam em Cristo, o Logos transcendente e imanente, que é o Universal universal.

Iahweh recompensou-me segundo a minha justiça, segundo a pureza das minhas mãos me retribuiu, porque me mantive nos caminhos de Iahweh, sem me distanciar do meu Deus”.

E Iahweh me retribuiu segundo a minha justiça, segundo a pureza que ele viu em mim com os seus olhos. Com o homem fiel tu és fiel, irrepreensível com quem é sem repreensão, puro com quem é puro, tortuoso com o perverso tu salvas o povo dos pobres e abates os olhos presunçosos”.

O caminho de Deus é sem mácula, e a palavra de Iahweh sem impureza. Ele é o escudo de quem nele se refugia” (2Sm 22, 21-22; 25-28; 31).

Deus é Justo, age conosco como agimos com os outros. Mas Deus é melhor que nós, pois está sempre disposto a nos perdoar, se nos arrependermos, pois Ele também é Clemente e Misericordioso.

Daí porque é necessário o arrependimento, como nos foi ensinado: “e a renovar-vos pela transformação espiritual da vossa mente, e revestir-vos do Homem Novo, criado segundo Deus, na justiça e santidade da verdade. Por isso abandonai a mentira e falai a verdade cada um ao seu próximo, porque somos membros uns dos outros” (Ef 4, 23-25).

Como somos membros uns dos outros, tanto física como espiritualmente, devemos contribuir para o crescimento de todos, como Jesus e seus apóstolos nos ensinaram: “Não saia dos vossos lábios nenhuma palavra inconveniente, mas, na hora oportuna, a que for boa para edificação, que comunique graça aos que a ouvirem” (Ef 4, 29).

A unidade física já era proclamada pelo Cristão Paulo “porque somos membros do seu Corpo”, e o mistério se revelou pela ciência. “É grande este mistério: refiro-me à relação entre Cristo e a sua Igreja” (Ef 5, 30; 32). Esse mistério é a unidade quântica, segundo a qual nós interagimos com todo o Universo, pelo mesmo Logos, que forma o Universo e o Corpo de Cristo, que é a Humanidade e o Cosmos, e por mais que essa interação em suas últimas consequências seja desprezada pelos físicos, é inevitável que ela se mostre em algum momento, quando todos descobrirão quem é Jesus e que apenas por Ele, o Observador Universal, por ser a humanidade da Humanidade, Deus Salva.

Ciência: a luta do cosmos contra o caos

Ciência é conhecimento racional integral, o que inclui uma teoria de ordem, harmonia, organização. Pressupõe, assim, uma metafísica, teoria que explica todos os fenômenos.

Desde o princípio da ciência no ocidente, com os antigos gregos, a questão de ordem do universo era essencial, podendo ser citados dois paradigmas principais, um materialista, com o exemplo de Demócrito descrevendo o universo composto por átomos, as menores peças das quais todas as demais coisas seriam formadas, e um idealista, com o exemplo de Platão, defendendo a existência de corpos ideais como suporte da realidade.

O começo da bíblia é justamente a criação do universo e a intervenção de Deus, ditando a ordem cósmica, “a terra estava vazia e vaga, as trevas cobriam o abismo, e um sopro de Deus agitava a superfície das águas” (Gn 1, 2), até que a palavra de Deus agiu criando a luz e a ordem.

Ciência, como filosofia, é amor ao conhecimento e à verdade. Direito é amor à Justiça, Deus, que é Correto e Íntegro. Ciência é conhecimento de Deus, da Ordem Cósmica, e o seu maior conhecedor é Jesus Cristo. Relevante, fundamental, indispensável, então, é entender Deus e seu significado.

“No princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus. No princípio, ele estava com Deus. Tudo foi feito por meio dele e sem ele nada foi feito. O que foi feito nele era a vida, e a vida era a luz dos homens; e a luz brilha nas trevas, mas as trevas não a apreenderam” (Jo 1, 1-5).

O Verbo é o Logos, a Razão, a raiz de todas as coisas, o princípio de tudo o que existe. Tudo o que existe para o homem existe como conceito, como expressão simbólica, e o Logos, o Verbo, é o que distingue a humanidade, enquanto ser linguístico, comunicacional. Deus é a Razão última de todas as coisas, visíveis e invisíveis, incluindo as psíquicas e espirituais, e quando Jesus viveu entre os homens, Ele manifestou a Razão de Deus, a Lei da Vida, não no aspecto mundano, mas como Vida Racional, como razão da própria Vida, que contém em si a morte carnal, em que um ser vivo substitui outro no ciclo da evolução.

O problema científico moderno é um problema ideológico, na medida em que a metafísica materialista de Demócrito não foi sustentada pela física moderna, seja pela relatividade ou pela orgânica quântica; mas, ainda assim, esse tema não é devidamente expresso pela comunidade científica.

Segundo David Bohm, pela metafísica a ideologia, como conjunto de ideias, responde à questão sobre o que são as coisas com a resposta “tudo é x”, e “x” define a ideologia. Para o materialismo, tudo é matéria. Para o idealismo, tudo é inteligência, logos.

A partir do materialismo, defende-se uma ciência material, com incidência dos princípios científicos valendo segundo uma ordem material. Ciência é ordem. Contudo, veio o século XX e a ciência disse: materialmente é impossível definir a ordem das coisas, pois vale o princípio da incerteza. Assim, para a ideologia materialista, na verdade, não existe ordem, mas caos, acaso, e para mascarar essa verdade, usa-se o eufemismo da probabilidade. Acaso significa sem causa. Portanto, a ciência materialista é caótica, pois não permite definir a causa das coisas.

Stephen Hawking, o arauto do ateísmo materialista moderno, afirma que “na teoria quântica, a capacidade de fazer previsões exatas é apenas a metade do que era na visão de mundo clássico de Laplace. Todavia, dentro desse sentido restrito, ainda é possível afirmar em determinismo” (In O universo numa casca de noz. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2009, p. 108). Nesse ponto ele deturpa o conceito de determinismo, para tentar manter sua posição científica, como a ideia de uma mulher meio grávida.

Portanto, a ideologia materialista capenga insiste em tentar se impor como verdade, mesmo não havendo coerência interna em seus argumentos e conceitos, segundo os dados obtidos no século XX.

Resta a metafísica idealista, que insiste na existência de uma ordem intelectual, espiritual, e sua expressão monoteísta implica na existência da Providência, de uma causalidade espiritual, superior, que existe efetivamente, ainda que não possa ser sempre entendida pela humanidade. Tal proposta é compatível com a ideia de Louis de Broglie, vencida em 1927 em Solvay (quando o dogma da incerteza foi convencionado, estabelecendo as bases para o que viria a ser a interpretação de Copenhague da física quântica, sua visão ortodoxa), mas retomada por David Bohm, sobre a possibilidade de existência de uma onda piloto e de variáveis ocultas regendo o comportamento material, ou seja, de que existe uma energia inteligente oculta controlando a matéria. E essa onda piloto pode ser entendida como o Logos, sendo o Cristo sua manifestação humana e visível, que “pegou” a onda piloto, e, para tanto, morreu na cruz, ressuscitando em seguida. Jesus experimentou o colapso da partícula, mas permaneceu como campo, campo que  permeia todo o espaço-tempo em unidade lógica, como Logos.

Para culminar sua extravagância “filosófica”, Hawking ainda afirma que as “teorias de ‘variáveis ocultas’ preveem resultados em desacordo com as observações. Mesmo Deus está limitado pelo princípio da incerteza e não pode conhecer a posição e a velocidade; Ele só pode conhecer a função de onda” (Op. cit., p. 107). Tal afirmação, além de conter a visão de uma ameba julgando o conhecimento humano, não é honesta cientificamente. Marcelo Gleiser, na obra que me indicou o trabalho de David Bohm, informa que a teoria das variáveis ocultas “produz os mesmos resultados da mecânica quântica”, que as “duas teorias fazem as mesmas previsões e não existe uma possibilidade de distinção”, optando ele pela mecânica quântica sem uma onda-piloto por ser “bem mais simples” (In A ilha do conhecimento: os limites da ciência e a busca por sentido. Rio de Janeiro: Record, 2014, p. 229).

A filosofia de Hegel, de origem cristã, decorre de uma metafísica que poucos alcançam, pelo grau de abstração e rigor lógico, seguindo o idealismo. O hegelianismo é como uma língua estrangeira para a maioria das pessoas. Hegel superou Kant ao eliminar a separação sujeito-objeto, na medida em que o sujeito se torna o objeto no momento do entendimento, sendo ele mesmo intelectualmente a coisa em si, em um todo lógico, mas o paradigma kantiano permanece reinando como pressuposto filosófico da ciência moderna.

A prova do acerto da filosofia de Hegel coube à física quântica, ao demonstrar que o observador e o observado se tornam uma só coisa no momento da medição/observação, um só fenômeno lógico, cuja consequência levaria materialmente ao princípio da incerteza de Heisenberg, princípio que impede a teoria materialista de seguir uma verdadeira ordem. Segundo este físico:

“Independentemente da decisão última, podemos mesmo afirmar agora que a resposta final (sobre a equação fundamental da matéria) estará mais próxima dos conceitos filosóficos expressos, por exemplo, no Timeu de Platão do que dos antigos materialistas. Tal fato não deve ser mal compreendido como um desejo de rejeitar de maneira muito leviana as ideias do moderno materialismo do século XIX, o qual, uma vez que pôde trabalhar com toda a ciência natural dos séculos XVII e XVIII, abarcou um conhecimento muito importante de que carecia a antiga filosofia natural. Não obstante, é inegável que as partículas elementares da física de hoje se ligam mais intimamente aos corpos platônicos do que aos átomos de Demócrito. (…) E, desde que a estrutura matemática é, em última análise, um conteúdo intelectual, poderemos afirmar, usando as palavras de Goethe no Fausto, ‘No princípio era a palavra’ – o logos. Conhecer este logos em todas as suas particularidades, e com total clareza em relação à estrutura fundamental da matéria, constitui a tarefa da física atômica de hoje e de seu aparelhamento infelizmente muitas vezes complicado” (In Problemas da Física Moderna, 3 ed., São Paulo: Perspectiva, 2011, pp. 26-27).

Não sei se foi proposital a não citação do evangelho de são João por Heisenberg, mas essa omissão indica muito bem o nível de obscurecimento que rege a comunidade científica de hoje. A própria física é limitada em seu conhecimento e as teorias demoram tempo para sua demonstração, como a relatividade de Einstein, que agora teve mais uma comprovação, com as ondas gravitacionais. Deve-se ressaltar, contudo, que a relatividade trata de quatro dimensões e é materialista, ignorando 95% (noventa e cinco por cento) do universo conhecido, que é desconhecido, na medida que essa ciência parcial desconhece a matéria escura e a energia escura, responsáveis pelo citado percentual da energia cósmica (95%).

E comprovando o que se diz sobre a incapacidade de a ciência moderna explicar o mundo, pode-se citar a famosa frase de Richard Feynman: “posso afirmar com segurança que ninguém entende a mecânica quântica” (In Sobre as leis da física. Rio de Janeiro: Contraponto: Ed. PUC-Rio, 2012, p. 135). Não se entende a mecânica quântica porque a física quântica é não materialista e indica uma quinta dimensão não local e atemporal, sendo melhor falar orgânica quântica, porque o universo é um todo orgânico, e o Logos é sua mente.

A igreja acadêmica está encerrada em sua dogmática fragmentária, de base cartesiana e materialista, e ontologicamente incorreta. Contudo, a orgânica quântica trabalha com o conceito de unidade e demonstra a inter-relação mente e matéria, de modo dar um giro em direção às ciências do espírito, enquanto a tradição científica continua enclausurada numa metafísica esquizofrênica e partida da realidade. Newton uniu a matéria terrestre à celeste; Einstein juntou espaço e tempo; e Bohm conectou o corpo ao espírito, a res extensa à res cogitans, pelas ciências físicas, seguindo o que Hegel havia feito na filosofia.

O apego materialista, que rejeita o espírito, já havia sido profetizado. Mas esse materialismo chegou ao seu limite filosófico no princípio da incerteza, que impede o reconhecimento de uma ordem material; os desastres humanos, sociais e ambientais que vemos hoje são o resultado dessa falsa ciência, desse falso profeta.

“Deste modo, o espírito humano mergulhou profundamente no mundo sublunar da matéria, repetindo, assim, o mito gnóstico do Nous o qual, contemplando a sua imagem nas profundezas, desceu às regiões inferiores, onde foi enlaçado e tragado pela ‘physis’ (natureza). O clímax desta evolução é representado, respectivamente, pelo Iluminismo francês, no século XVIII, pelo materialismo científico, no século XIX, e, no século XX, pelo “realismo” político e social que faz o curso da história regredir dois mil anos, trazendo de volta o despotismo, a negação dos direitos do indivíduo, a crueldade, o aviltamento da pessoa humana e a escravidão do mundo pré-cristão, cujo ‘labour problem’ (problema trabalhista) foi solucionado com o ‘ergastulum’ (prisão e confinamento de escravos). A ‘inversão de todos os valores’ se opera abertamente diante de nossos olhos.

Parece que tal evolução, indicada aqui em poucas palavras, foi antecipada na simbologia medieval e na gnóstica como o Anticristo no Novo Testamento” (Carl Gustav Jung, in AION – Estudos sobre o simbolismo do Si-mesmo. 2. ed. Petrópolis: Vozes, p. 222).

Sobre o restabelecimento da ordem cósmica, com a vinda de Jesus Cristo na parusia, são Paulo, na segunda carta aos Tessalonicenses, no segundo capítulo, relata que antes da vinda do Senhor seria necessário ocorrer a apostasia, a separação religiosa. “Antes daquele dia virá a apostasia, e, então, será revelado o homem do pecado, o filho da perdição” (2Tes 2, 3). O filho da perdição se autoproclamará Deus, como a ciência moderna faz, declarando a morte de Deus e reconhecendo-se como senhora da verdade.

Assim, a explicação de tal passagem profética pode ser feita da seguinte forma. Antes da parusia vem a apostasia. O que detém o filho do pecado é não haver apostasia. Portanto, a separação cartesiana, a separação entre vida religiosa e vida civil, a apostasia, é o que permite a revelação do homem do pecado, do filho da perdição, o anticristo, que é o modelo de “homem” que a cultura materialista, principalmente ocidental, promove.

Portanto, enquanto o homem religioso não viver a sua verdadeira religião, continuará reinando o príncipe deste mundo, que ideologicamente é o capitalismo selvagem, o egoísmo individual e social, sem Direito, sem Justiça. A solução é uma só, que os judeus sejam judeus; os muçulmanos, muçulmanos; e os cristãos; cristãos; mas verdadeiramente, seguindo a Verdade, Jesus, que é o judeu padrão, ortodoxo, testemunha fiel do espírito da Lei; e o muçulmano modelo, é submisso às Ordens divinas, à Lei de Deus, integralmente, até a morte. Como somos a maioria absoluta da população mundial, basta seguirmos o melhor da nossa religião para restaurarmos a ordem cósmica, realizando o Reino de Deus, sendo a Parusia Sua presença em nós: “O Reino de Deus está no meio de vós” (Lc 17, 21).

“Não perverterás o direito do estrangeiro e do órfão, nem tomarás como penhor a roupa da viúva. Recorda que foste escravo na terra do Egito, e que Iahweh teu Deus de lá te resgatou. É por isso que eu te ordeno agir deste modo. Quando estiveres ceifando a colheita em teu campo e esqueceres um feixe, não voltes para pegá-lo: ele é do estrangeiro, do órfão e da viúva, para que Iahweh teu Deus te abençoe em todo trabalho das tuas mãos. Quando sacudires os frutos da tua oliveira, não repasses os ramos: o resto será do estrangeiro, do órfão e da viúva. Quando vindimares a tua vinha, não voltes a rebuscá-la: o resto será do estrangeiro, do órfão e da viúva. Recorda que foste escravo na terra do Egito. É por isso que eu te ordeno agir deste modo” (Dt 24, 17-21). Os palestinos são estrangeiros no atual território de Israel, não sendo devidamente respeitados.

A Torá e o Alcorão, este expressamente afirmando que apenas veio confirmar a Torá e o Evangelho, possuem um Direito essencialmente voltado à proteção dos necessitados: o pobre, o órfão e a viúva; pois não havia direito previdenciário naquelas épocas, não existia pensão ou benefício assistencial.

“Não oprimais a viúva, o órfão, o estrangeiro e o pobre, não trameis o mal em vossos corações, um contra o outro” (Zc 7, 10).

“Assim fará todo o natural dentre o vosso povo, quando oferecer uma oferenda queimada em perfume agradável a Iahweh. E se algum estrangeiro residir convosco, ou com os vossos descendentes, oferecerá uma oferenda queimada em perfume agradável a Iahweh: como fizerdes, assim fará. a assembleia. Haverá somente um estatuto, tanto para vós como para o estrangeiro. É um estatuto perpétuo para os vossos descendentes: diante de Iahweh, será tanto para vós como para o estrangeiro. Haverá somente uma lei e um direito, tanto para vós como para o estrangeiro que habita no meio de vós’” (Nm 15, 13-16).

“A sentença será entre vós a mesma, quer se trate de um natural ou de estrangeiro, pois eu sou Iahweh vosso Deus” (Lv 24, 22).

Em Isaías 56, os estrangeiros são convidados a tornarem-se servos de Iahweh, pois sua casa será “chamada casa de oração para todos os povos” (Is 56, 7).

“Se, ao contrário, eles depuserem as armas, e não vos combaterem, e vos oferecerem a paz, Deus não vos permitirá mais hostilizá-los” (Sura 4: 90).

“E não disputeis com os adeptos do Livro senão com moderação, salvo os que prevaricam. E dizei: ‘Cremos nos que nos foi revelado e no que vos foi revelado. Nosso Deus e vosso Deus é o mesmo. A Ele nos submetemos’” (Sura 29: 46).

“Se eles se inclinarem para a paz, inclina-te para ela também e confia em deus. Ele ouve tudo e sabe tudo” (Sura 8: 61).

“Servos do Clemente são aqueles que caminham mansamente pela terra, e quando os ignorantes se dirigem a eles, respondem: ‘Paz!’” (Sura 25: 63).

“Nós tivemos os nossos pais segundo a carne como educadores, e os respeitávamos. Não haveremos de ser muito mais submissos ao Pai dos espíritos, a fim de vivermos?” (Hb 12: 9). Cito essa passagem porque muçulmano significa submisso, servo.

“Ficaram em silêncio, porque pelo caminho vinham discutindo sobre qual era o maior. Então Ele, sentando-se, chamou os Doze e disse: “Se alguém quiser ser o primeiro, seja o último de todos e o servo de todos” (Mc 9, 34-35).

“Pois o que é loucura de Deus é mais sábio do que os homens, e o que é fraqueza de Deus é mais forte do que os homens” (1 Co 1, 25).

Uma ciência loucamente divina é mais sábia que a dos homens.