Racionalidade

Racionalidade é a qualidade do que é racional ou lógico, é uma questão essencial no universo científico, no mundo das ciências em geral, porque o conceito de irracionalidade é associado ao de coisas anticientíficas. Atualmente, é predominante a ideia segundo a qual nossa vida é regida pelos conhecimentos científicos e pela razão.

Mas se pararmos para pensar mais detidamente chegaremos à conclusão de que nossa vida é pautada pela irracionalidade em um nível absurdamente elevado, ainda que sejamos inconscientes desse fato.

Comecemos pelos valores mais elevados, a vida humana, por exemplo. Segundo a Constituição Federal, a República Federativa do Brasil tem como fundamentos, dentre outros, a cidadania e a dignidade da pessoa humana, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida etc.

Entretanto, em 2017, mais de sessenta mil pessoas morreram assassinadas e outras quarenta mil pessoas faleceram em decorrência de acidentes de trânsito, no Brasil. Isso é mais do que as mortes ocorridas na guerra da Síria no mesmo período. Tal número é próximo daqueles de anos anteriores, e ainda assim a sociedade não se mobilizou para enfrentar seriamente esse problema monumental que devasta dezenas de milhares de famílias anualmente. Se somarmos o número de roubos, agressões físicas e morais, estupros etc, a situação se agrava consideravelmente.

Não bastasse isso, a maioria das mortes não é devidamente esclarecida, e os culpados não são responsabilizados, sendo mínima a porcentagem dos autores de homicídios condenados por seus crimes, especialmente em cidades de maior porte. Assim, contraditoriamente, nas maiores cidades, os locais teoricamente mais civilizados, mata-se mais impunemente do que em outras localidades.

Uma das notícias do dia de hoje foi a do ministro do STF, conhecido pelas decisões em favor da soltura de réus já condenados, inclusive após decisões de tribunais, que, depois de receber a crítica de um advogado em voo doméstico dizendo que “o STF é uma vergonha”, imediatamente ameaçou o cidadão de prisão….

Nesse mesmo sentido, da incoerência entre a teoria e a prática, a humanidade consome mais energia do que o planeta pode sustentar equilibradamente, produzindo, consequentemente, uma enorme quantidade de resíduos, ou lixo, que vêm se acumulando na terra, na água, no ar e até mesmo na órbita do planeta, com efeitos danosos à saúde e à vida de milhões de pessoas.

Para dar conta de nosso consumo nos padrões atuais, a Terra deveria ser 70% (setenta por cento) maior (https://super.abril.com.br/ciencia/para-dar-conta-do-nosso-consumo-a-terra-teria-de-ser-70-maior/), situação para a qual o consumo brasileiro também contribui. Todavia, o planeta não é 70% (setenta por cento) maior…

Nossa conduta, enquanto humanidade, portanto, é flagrantemente irresponsável, e irracional, porque estamos destruindo nossa própria casa, e permitindo a morte de nosso irmãos, porque para os cristãos todos os seres humanos são nossos irmãos, na medida em que Deus é Pai de nós todos.

Outrossim, por maiores que foram os avanços científicos dos últimos séculos, os efeitos nefastos dessa atividade seguiram os respectivos benefícios, de modo que nossa racionalidade não conseguiu filtrar os danos, para que vivamos no paraíso possível, o qual pode nos ser proporcionado pela nossa tecnologia, mostrando que a racionalidade média adotada pela população mundial, incluída a do Brasil, não é tão racional assim.

Não é à toa que estamos entrando no que é chamada de “A era da burrice” (https://holonomia.com/2018/11/07/a-era-da-burrice/), de modo que os sintomas da irracionalidade do mundo estão por todo lado.

A causa dessa situação é a irracionalidade, ou pecado, que se repete nas vidas individuais e coletiva, como exposto no artigo “Pecado, erro, racionalidade e Verdade” (https://holonomia.com/2017/11/14/pecado-erro-racionalidade-e-verdade/).

E aqui deve ser destacado que o problema fundamental da humanidade é a falta de humanidade dos humanos, é a falta de fraternidade, é a falta de Jesus Cristo, enquanto encarnação do Verbo, encarnação do Logos, encarnação da razão na nossa carne, é a falta de ações realmente racionais.

Nesse ponto, há que se reconhecer que o Cristianismo é a Ciência da Humanidade, do ser humano que encarna a Razão, ou Logos, do indivíduo que é líder, que é Rei, é Bom Pastor, é Messias, com efeitos positivos sobre as demais pessoas, porque o Cristianismo é a Religião que une o Homem a Deus, ou Logos, unindo, do mesmo modo, os homens entre si, e fazendo do homem um Ser de Razão, um Ser do Logos, em uma razão que transcende o materialismo rasteiro de nossos dias, que supera os limites da própria relatividade einsteiniana, alcançando uma realidade, e uma racionalidade, que nossa ciência humana majoritária ainda não alcançou, e daí decorre sua irracionalidade.

David Bohm entendeu essa realidade, como pode ser visto no vídeo (em inglês) https://www.youtube.com/watch?v=mDKB7GcHNac, sustentando a necessidade de que sejamos conscientes da totalidade de que fazemos parte.

Para que sejamos realmente racionais, destarte, devemos compreender que fazemos parte de um todo maior. Ainda que Bohm entenda não haver um pecado original, ele afirma que o desejo de competir é um erro, pelo que sua ideia científica se adéqua ao Cristianismo, que exige solidariedade, amor ao próximo, para nos aproximarmos de Deus, da perfeição, do todo maior.

É possível, portanto, que atinjamos a racionalidade no mundo humano, científico, social e religioso, que vivamos um paraíso na Terra, mas para isso é indispensável que nossas vidas sejam expressão das melhores ideias, verdadeiramente racionais e iluminadas, que nossas ações representem, individual e coletivamente, a encarnação de boas ideias, de boas razões.

O Verbo era a luz verdadeira que ilumina todo homem; ele vinha ao mundo. Ele estava no mundo e o mundo foi feito por meio dele, mas o mundo não o reconheceu. Veio para o que era seu e os seus não o receberam. Mas a todos que o receberam deu o poder de se tornarem filhos de Deus: aos que creem em seu nome, ele, que não foi gerado nem do sangue, nem de uma vontade da carne, nem de uma vontade do homem, mas de Deus. E o Verbo se fez carne, e habitou em nós; e nós vimos a sua glória, glória que ele tem junto ao Pai como Filho unigênito, cheio de graça e de verdade” (Jo 1, 9-14).

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