A guerra em curso

Há uma guerra mundial em curso, que apenas ainda não voltou ao seu ápice bélico. Esta é uma situação iminente, latente, porque a guerra evidente, já existente, é espiritual, é ideológica, é a luta entre a universalidade e a irracionalidade, que remete ao tempo de Cristo, o qual representa o lado da universidade, de certa forma reclamado pelos atuais grupos em conflito, os quais, contudo, militam no campo da irracionalidade.

Roma já clamava para si a qualidade de império universal, mas na realidade era um governo de cunho nacionalista, ou mesmo familiar, com larga extensão planetária. A república romana se mostrou uma luta entre monarquia e aristocracia.

Ao se deparar com o verdadeiro conceito de universalidade, associado às ideias de Cristo, e não conseguindo absorver seu Espírito, Roma caiu, pois incapaz de conciliar o Evangelho, ligado à realidade espiritual, à universalidade dos direitos humanos e à fraternidade humana, com o domínio imperial.

Desde então a ideia de unir um império universal às ideias de Cristo fez surgir uma sucessão de novos impérios, desde a própria igreja romana, passando pelos impérios carolíngio, espanhol, português, britânico e americano, do ponto de vista ocidental, em que predomina a cosmovisão judaico-cristã.

A ascensão e queda desses impérios é o reflexo visível da guerra espiritual invisível existente desde a antiguidade, vencida pela universalidade de Cristo, no plano espiritual, e que ainda está em curso na sociedade moderna, uma vez que não superadas as causas que levaram à primeira guerra mundial, que foi a causa da segunda, e somente será solucionada após a terceira.

Nesse sentido, temos hoje o império americano, em decadência, porque sua universalidade é apenas parcial, pois sua economia é insustentável, não é universalizável em termos planetários o nível de consumo dos cidadãos norte-americanos, cultura essa que atingiu vários outros países, como o próprio Brasil. No corrente ano, em 29 de julho, nós ultrapassamos, planetariamente, o limite de consumo anual sustentável dos recursos naturais (http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2019-07/humanidade-ja-usou-recursos-naturais-do-planeta-para-2019).

A solução é uma só, reduzir o consumo, pagar mais caro por produtos poluentes, que sejam ecologicamente, e em termos de saúde, menos sustentáveis.

Contudo, ninguém quer pagar essa conta, seja em termos de parafiscalidade ou extrafiscalidade, podendo ser citados como exemplos os cigarros contrabandeados do Paraguai, a greve dos caminhoneiros e os protestos recentes no Equador e no Chile.

No caso do Equador, a gota d’água foi o fim do subsídio para gasolina e diesel, gerando a reação de vários grupos sociais, especialmente dos indígenas. Esse caso é exemplar para mostrar a contradição dos tempos atuais, porque a cultura indígena é, inquestionavelmente, atrasada em termos tecnológicos, portanto incompatível com o motor a combustão e com a tecnologia digital, e ainda assim os indígenas insistem em usar caminhonetes a diesel e smartphones. É contraditório escolher o melhor de cosmovisões distintas, sem o devido esforço racional, mental e corporal que permita essa conciliação, com as renúncias inerentes à manutenção da unidade lógica e racional, ao Logos. Os indígenas, destarte, podem ter caminhonetes e iPhones, mas, para tanto, é indispensável incorporar a mentalidade de Cristo, com os fundamentos de sua cosmovisão e moralidade.

Portanto, ninguém quer pagar a conta para a existência da sociedade universal, ou melhor, quase ninguém, porque Jesus e seus verdadeiros seguidores fizeram exatamente isso, o que demanda apontar os erros e contradições de seu próprio grupo, sua própria nação, sua própria religião, sofrendo as consequências desse comportamento ousado que é, ao mesmo tempo, desafiador e conservador.

Nesse sentido, o império americano é decadente e não aceita perder o poder, não concorda em renunciar à parcela de exploração natural e exagero de consumo que faz de seu padrão de vida insustentável, e anticristão, o que inclui a concentração absurda de riquezas entre famílias dentro do planeta, entre grupos dentro de nações e em poucos países, tudo fruto de uma simbologia equivocada, que valoriza aspectos materiais e fugazes da vida em franco detrimento da realidade significativa da vida, que inclui o desenvolvimento espiritual humano. Não há problema em ser rico, mas multibilionário, sem produzir benefício social, e até mesmo em detrimento do resto da sociedade.

Por isso, a guerra atual é psicológica e econômica. Como os donos do dinheiro, do dólar, que fundamenta a economia, não aceitam perder dinheiro, a população é manipulada e os governantes não a respeitam e não falam a verdade, porque não sabem ou não querem, e como a China não tem pressa e continuará crescendo em poder e população, com as respectivas necessidades materiais, a guerra é inevitável, mesmo porque o povo também não aceita “perder direitos” e não concorda em pagar mais caro pelos produtos que consome e para ter qualidade e sustentabilidade de vida, do que são exemplos as questões ligadas aos combustíveis fósseis e à previdência pública.

Assim, a guerra bélica ocorrerá não porque EUA, China e Rússia entrarão em conflito armado direto, mas porque a ela serão arrastados, e para continuar e solucionar o problema teórico não resolvido pela primeira guerra, incluídas as questões financeiras mundiais e as alianças econômicas e militares das nações.

A primeira guerra começou por um detalhe, em um conflito já conflagrado previamente em termos políticos e ideológicos, e seria, do lado que se sagrou vencedor, a guerra para acabar com todas as guerras. Atualmente, a mentalidade universal ainda não está presente nas nações imperiais, e a Europa, como um todo, a antiga potência, que já decaiu, tem papel secundário na guerra em curso, porque seus interesses econômicos e ideológicos estão no meio do conflito.

Não se pode esquecer, ainda, a “guerra santa” islâmica, que também representa o Islã de universalidade parcial, que pretende se impor como razão soberana, o que ganha importância no cenário planetário a partir das divergências entre Irã, Israel e Arábia Saudita.

O predomínio de uma ideia não universal é provisório, porque a exploração é possível apenas por um período de tempo, até que a paciência, os recursos ou ambos se esgotem, dando início ao confronto físico.

A China consegue manter sua enorme população sob controle, com pouca liberdade, enquanto há prosperidade econômica, que está sendo reduzida. O ciclo de crescimento dos EUA também está perto do fim, sendo prevista para breve uma recessão de proporções ainda desconhecidas.

Como efeito direto dos problemas econômicos surgem as questões sociais ligadas às mudanças climáticas, pois se, de um lado, é possível e provável que humanidade tenha contribuído para tanto; de outro lado, é inegável que as adequadas políticas públicas, com os custos econômicos respectivos, para todos, ricos e pobres, poderiam, se não neutralizar, minorar em muito os danos humanos decorrentes das catástrofes naturais.

Contudo, ainda prevalece uma situação de exploração da maioria por uma minoria, o que inclui a minoria LGBT, que pretende impor sua visão anormal de mundo a todos, contrária à natural geração da vida, provocando uma degeneração da vida social com seu entendimento materialista ou equivocado da realidade, que não é universal, mas particular e também insustentável. Essas minorias não possuem os arquétipos psíquicos e/ou biológicos para criar filhos adequadamente, pois sua estrutura psíquica e/ou biológica é deficiente, significando uma anomalia, uma possível exceção, que não pode ser considerada regra ou norma universal, sendo um pensamento parcial e, portanto, irracional.

Os fundamentos da vida contemporânea, outrossim, mostram-se insustentáveis, sendo necessário reformar nossa casa comum, estruturalmente, em termos ideológicos, comportamentais e institucionais. Um prédio que está com seus fundamentos abalados, comprometidos, deve ser restaurado, sob pena de ruína da construção, com as perdas que lhe são inerentes. Para que seja possível fazer uma obra em casa habitada, há necessidade de grande acomodação de seus ocupantes, com os desconfortos que permitem a ação dos operários.

Todavia, uma vez que ninguém quer pagar a conta de uma vida sadia, de uma sociedade universal, tudo indica que será necessário que, mais uma vez, a civilização seja arruinada, para que, então, somente depois de grande destruição e de encerradas todas as guerras, as ideias verdadeiramente universais, católicas, prevaleçam, de modo que todos sejam submissos ao Logos, sejam islâmicos, respeitando os direitos humanos, com a humanidade governada por Cristo, por seus apóstolos, encarnando o Logos, em termos ideológicos, comportamentais e institucionais, no Reino de Deus.

Um comentário sobre “A guerra em curso

  1. Prezado Holonomia

    Só discordo quanto ao modo da guerra propriamente dito. Penso que estamos, há tempos, em plena guerra mundial, guerra híbrida, e que, cada vez mais, afasta-se do combate tradicional com armamentos pesados letais. Quem viver, verá o que virá, ou sobreviverá.

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