Para onde vamos

A resposta à referida indagação está coligada ao entendimento sobre nossa origem. E isso vale tanto para os indivíduos como para as sociedades, e possui profunda significação filosófica, ou teológica.

Vale dizer que, na sua origem, o Cristianismo não faz distinção entre Filosofia e Teologia, e qualquer entendimento que refute esse pressuposto está alheio à realidade permanente que é o Cristianismo. A razão desse fato é muito óbvia, Jesus, antecipando o mundo futuro, manifesta o Logos na humanidade, conceito este extraído da filosofia grega, que remete a Heráclito, de modo que a própria ideia Cristã, enquanto Teologia, está fundada sobre a Filosofia, conjugando uma narrativa de mundo judaica aos conceitos filosóficos básicos gregos sobre a racionalidade do mundo natural.

Se existe uma Sabedoria, ou o Logos, em nossa origem, como defendiam Heráclito, Platão e como está na base do Monoteísmo judaico-cristão-muçulmano, esse mesmo é nosso destino, havendo possibilidade teórica de se perquirir esse caminho. De outro lado, se a ordem do mundo é fortuita, a previsibilidade futura é enormemente restrita, e o caos pode aumentar até que a humanidade viva uma completa distopia.

Nesse sentido, pode-se considerar como dada a existência de uma profunda dissonância cognitiva na mentalidade ocidental, o que presumo tenha validade para a oriental, por menor que seja meu conhecimento sobre o outro lado do mundo, diante da predominante ausência de consonância entre o pensamento científico e o religioso, entre Filosofia da Ciência e da Religião, pelo simples fato de Ciência e Teologia serem consideradas disciplinas absolutamente distintas, quando são uma só e mesma forma de conhecimento. A impossibilidade de compreensão dessa situação é fruto de falhas inseridas nas raízes dos respectivos marcos teóricos divergentes.

Outrossim, a dissonância cognitiva será superada apenas caso haja uma conciliação fundante entre Ciência e Teologia, ou na hipótese de predomínio absoluto de uma visão sobre a outra. A falta de entendimento, por sua vez, perpetuará a esquizofrenia mental da humanidade e a falta de entendimento do mundo natural e humano.

Dentro da visão monoteísta, a ordem de mundo futura é antecipada a algumas pessoas, chamadas profetas, fenômeno que recebe o nome de revelação, e mostra previamente, de forma mais ou menos obscura, o caminho a ser seguido por uma pessoa, uma nação ou toda humanidade, especialmente em relação ao destino comum dos povos, que hoje é um fato consumado.

É inequívoco que vivemos uma situação muito especial na História humana, porque, se em termos nominais o planeta continua do mesmo tamanho, a ligação planetária se estreitou de uma forma como nunca havia ocorrido, e chegamos a um momento em que as maiores distâncias podem ser superadas em horas, quanto ao deslocamento de pessoas, enquanto a troca de informação é praticamente instantânea em todo orbe.

A disseminação do vírus, assim, é um sintoma dessa nova realidade, e talvez, ou muito provavelmente, a primeira das últimas grandes pragas, ou tragédias humanitárias, que antecederão o novo governo planetário, ou a nova ordem global.

Minha convicção profunda é no sentido de que essa situação emergente se refere à realização da mensagem evangélica, comprovando a essência veraz do Cristianismo. Contudo, paradoxalmente, para tal empreitada, a mudança comportamental possivelmente será mais radical no ocidente, no chamado mundo Cristão, do que no oriente, incluídos o mundo islâmico, a China e a Rússia.

A chamada Era Messiânica, ou Reino de Deus, é baseada numa obediência irrestrita aos mandamentos divinos, o que significa a submissão individual ao Logos, e nesse ponto o mundo ocidental, no tocante ao seu individualismo quase anárquico, de viés materialista, sentirá mais fortemente os efeitos da necessidade de contenção dos instintos egoístas, do consumo irracional e do relativismo moral associado às ideias do politicamente correto, significando um avanço civilizatório que para muitos é considerado um retrocesso cultural. Essa é uma necessidade racional, indispensável, para permitir tanto o equilíbrio do mundo natural quanto a harmonia social.

O mundo corânico já espera, em boa parte, o “retorno de Jesus”, acompanhando o Imam Mahdi, que encherá o mundo de justiça, e ainda que seja necessário um aprimoramento na Teologia islâmica, para, dentre outras coisas, compreender a superioridade profética de Yeoushua sobre Muhammad, a ideia de uma vida religiosa dentro dos contextos sociais e políticos ainda é uma realidade muçulmana.

A Rússia já é uma nação cristã, e seus problemas políticos, como no ocidente, serão resolvidos quando compreendida a questão teológica, provavelmente após o conflito envolvendo Irã e Israel, como limite da desordem política planetária, que levará ao “transbordamento da ‘ira’ de Deus”.

A China, finalmente, não poderá ficar isolada do mundo, tanto por uma questão de sua sobrevivência, para alimentação de sua população, quanto por sua já existente proximidade com a Rússia e com nações islâmicas, e será afetada pelo citado conflito e seus desdobramentos. Nesse sentido, já ocorre um processo de integração com o mundo ocidental, de superação crescente do ideário comunista, valendo dizer que a repressão à “democracia individualista”, como salientado acima, também será uma necessidade ocidental, e as origens confucionistas e taoístas podem facilmente ser resgatadas com um viés cristão, associado à aceitação da dignidade humana pelas autoridades chinesas.

Entretanto, o processo de libertação é doloroso, pois o coração dos faraós continuará endurecido, e a intensidade das pragas deve aumentar, tal como narrado nas Escrituras, para eventos passados e futuros. Ainda há dor no porvir, mas, para onde vamos, o que nos espera é a Glória de Deus.

Será derramado outra vez sobre nós um Espírito que vem do alto. Então o deserto se transformará em jardim, e o jardim será tido como floresta. O direito habitará no deserto e a justiça morará no jardim. O fruto da justiça será a paz, e a obra da justiça consistirá na tranquilidade e na segurança para sempre. O meu povo habitará em moradas de paz, em mansões seguras e em lugares tranquilos. Embora a floresta venha abaixo, embora a cidade seja humilhada, sereis felizes, semeando junto de águas abundantes, deixando andar livres os bois e os jumentos” (Is 32, 15-20).

O espírito do Senhor Iahweh está sobre mim, porque Iahweh me ungiu; enviou-me a anunciar a boa nova aos pobres, a curar os quebrantados de coração e proclamar a liberdade aos cativos, a libertação aos que estão presos, a proclamar um ano aceitável a Iahweh e um dia de vingança do nosso Deus, a fim de consolar todos os enlutados, os aflitos de Sião, a fim de dar-lhes um diadema em lugar de cinza e óleo de alegria em lugar de luto, uma veste festiva em lugar de um espírito abatido. Chamar-lhes-ão terebintos de justiça, plantação de Iahweh para a sua glória” (Is 61, 1-3).

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