Um futuro inevitável

Um futuro é inevitável. Isso é um fato lógico, considerada a premissa do tempo, que vivemos no tempo, no qual os eventos se sucedem e o presente antecede o futuro, ambos com o passado atrás de si.

Qual o futuro inevitável é a grande questão, devendo ser destacado que a posição filosófica da pessoa determina o entendimento sobre o modus operandi da ação temporal: se existe ou não ordem; e qual seria sua causalidade.

Tenho concluído que o principal problema ou tema cognitivo está ligado à definição principiológica sobre a existência de ordem no mundo e quanto à sua origem, se há ou não cosmos, isto é, se vivemos em um mundo ordenado, disciplinado, organizado, que é o significado etimológico do termo kosmós; ou caótico, palavra derivada do grego khaos, que significava vazio, abismo, do verbo khaíno, com o sentido de abrir-se ou separar.

O caos era tido na mitologia grega como a divindade primitiva, portanto tema afeto às questões teológicas, as quais, com a filosofia grega, passaram a se confundir com as ideias racionais, porque a finalidade filosófica era exatamente explicar de forma inteligível e natural, com uma simbologia mais concreta, a origem do mundo, em substituição às narrativas mitológicas e religiosas primitivas, que eram a forma de conhecimento do mundo e, ressalte-se, permitiram a unidade social e a sobrevivência e o desenvolvimento da humanidade por dezenas de milhares de anos.

Entre os gregos havia um certo consenso no sentido de que havia uma ordem atual de mundo, porque sem essa pressuposição a própria ideia de conhecimento se tornaria impossível.

Para os materialistas a “ordem (o cosmo) é efeito de encontro mecânico entre os átomos, não projetado e não produzido por uma inteligência. A própria inteligência segue-se ao e não precede o composto atômico” (Giovanni Reale e Dario Antiseri. História da filosofia: Filosofia pagã antiga. Trad. Ivo Storniolo. São Paulo: Paulus, 2003, p. 46).

No extremo oposto do espectro filosófico estão a ideia platônica do Bem, como origem do mundo, e o Deus do Monoteísmo, O Criador de todas as coisas.

Existe uma diferença ontológica entre os modos de pensar dos dois últimos parágrafos, são dois universos completamente distintos, se um é verdadeiro o outro é necessariamente falso.

É importante ressaltar que a Ciência moderna e a civilização ocidental se baseiam na ideia Monoteísta, do Deus Criador, porque esse era um pressuposto necessário no desenvolvimento das ideias de Galileu, Descartes e Newton. A ciência tem por finalidade a busca dessa inteligência que está na origem da harmonia do mundo natural, sobre como funcionam as coisas.

A ordem das ideias é importante, explicando porque determinados pensamentos surgiram, especialmente quanto à chamada revolução científica e seus desdobramentos, porque Galileu viveu entre 1564 e 1642, tendo sido condenado pela inquisição, enquanto a vida de Descartes ocorreu entre 1596 e 1650, e este também sustentou ideias heliocêntricas, mas não as publicou, porque Galileu já estava tendo problemas com a Igreja. Numa época de dúvidas sobre a autoridade teológica da Igreja, com reflexo em assuntos sobre o conhecimento do mundo natural, Descartes baseou seu conhecimento subjetivo, de um lado, na dúvida, questionando tudo o mais que existe além de si mesmo; mas, de outro lado, sua ideia sobre o mundo objetivo, o mundo material, estava assentado na ideia de Deus. Havia, pois, um ceticismo parcial, pois ainda subjazia a crença na ordem divina de mundo.

Newton viveu entre 1643 e 1727, e considerava Deus como a origem da harmonia celeste. Portanto, o principal nome da revolução científica entendia que a ordem do mundo era fruto da ação de Deus, e não o resultado do encontro mecânico e aleatório de átomos, como defendiam os materialistas gregos.

Em um tempo de vida humana de duzentos mil anos, com registros de domínio de pensamento religioso pelo menos há dez mil anos, pode ser considerada uma exceção a ampla difusão do pensamento ateísta no mundo atual, principalmente nos últimos trezentos anos, com destaque para o século XX e os horrores nele ocorridos.

Com a física moderna, a questão da ordem do mundo chegou a limite do inimaginável, especialmente quanto ao mundo quântico e ao princípio da incerteza, e em relação a este existem duas posturas fundamentais, uma no sentido de que esse princípio representa uma restrição epistemológica, um limite ao nosso conhecimento da causalidade do mundo natural, enquanto outros sustentam que a indeterminação é ontológica, própria do mundo natural.

Se a incerteza é epistemológica, o futuro pode ser determinado, ainda que não tenhamos condições intelectuais ou experimentais de antecipá-lo. Se a incerteza é ontológica, é impossível predizer o conhecimento sobre o futuro, notadamente aquele mais distante.

Como cristão, alinhado ao pensamento monoteísta, para ser coerente, entendo que a única opção é pela incerteza epistemológica, interpretando esse princípio como uma limitação ao nosso conhecimento do mundo por meios materiais. Porque, sendo Deus o Criador de todas as coisas, Ele estabeleceu a ordem que há no mundo, e pode antecipar os acontecimentos futuros, e o fez, através dos profetas.

Voltemos, então, ao pensamento que proporcionou a revolução científica:

Os céus declaram a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos” (Sl 19, 1).

Deus controla a ordem do mundo. “Não se vendem dois pardais por um asse? E, no entanto, nenhum deles cai em terra sem o consentimento do vosso Pai! Quanto a vós, até mesmo os vossos cabelos foram todos contados” (Mt 10, 29-30).

Entendo, assim, que há ordem, ou sentido, também na História, e estamos diante de uma série de acontecimentos associados à vinda do Reino de Deus, precedida de vários eventos importantes, muitos dos quais vivemos de forma única em nossa geração, com destaque para a restauração do Estado de Israel, decorrente da ação messiânica de Jesus Cristo, e em torno desse povo existem algumas profecias importantes para os desdobramentos finais desse tempo.

Na semana que passou, mais uma notícia confirma tal narrativa, porque o primeiro-ministro de Israel está empenhado em recuperar o domínio sobre parte das terras ocupadas por palestinos, estabelecendo que as reuniões sobre o tema, uma prioridade de seu governo, começarão em 1.º de julho, e que não perderá a oportunidade única atual, relativa ao apoio do governo dos EUA, para exercer soberania sobre a Judeia e a Samaria (https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2020052615622851/).

Em um mundo já desequilibrado pela pandemia e seus efeitos, Israel pretende aumentar significativamente a complexidade das relações internacionais, provocando o que talvez seja a etapa final de realização das profecias bíblicas, até que, enfim, cheguemos a um futuro inevitável, impossível de ser antecipado materialmente, mas previsto espiritualmente pelos profetas do Altíssimo.

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