Israel, Palestina e Jesus

Com quase duzentas mortes até o momento, e mais de sessenta crianças entre as vítimas, é inequívoco que há uma guerra em curso, entre Israel e o Hamas. Na realidade, há um estado de guerra permanente em torno do Estado de Israel desde sua refundação, em 1948, que remete, de fato, à dissolução da unidade política dos hebreus após a morte do rei Salomão, há milênios.

Para se chegar às origens do conflito, muito além da questão territorial, pois, é preciso ir aos fundamentos teológicos do Monoteísmo, porque a divergência está na prioridade da descendência de Abraão, em seus dois filhos, Ismael e Isaac, representados, atualmente, por árabes e judeus, e, também, por cristãos.

O Anjo de Iahweh lhe disse: ‘Estás grávida e darás à luz um filho, e tu lhe darás o nome de Ismael, pois Iahweh ouviu tua aflição. Ele será um potro de homem, sua mão contra todos, a mão de todos contra ele; ele se estabelecerá diante de todos os seus irmãos.’” (Gn 16, 11-12).

A maioria do povo árabe é constituída de muçulmanos, os quais reclamam a descendência de Ismael, e seu estabelecimento diante dos irmãos. Ismael é o filho mais velho de Abraão, e daí porque é natural, em certo sentido, que se considerem, os muçulmanos, com preferência sobre judeus.

Quanto a mim, eis a minha aliança contigo: serás pai de uma multidão de nações. E não mais te chamarás Abrão, mas teu nome será Abraão, pois eu te faço pai de uma multidão de nações. Eu te tornarei extremamente fecundo, de ti farei nações, e reis sairão de ti. Estabelecerei minha aliança entre mim e ti, e tua raça depois de ti, de geração em geração, uma aliança perpétua, para ser o teu Deus e o de tua raça depois de ti. A ti, e à tua raça depois de ti, darei a terra em que habitas, toda a terra de Canaã, em possessão perpétua, e serei o vosso Deus.” (Gn 17, 4-8).

Os judeus, que são uma especificação dos israelitas, por sua vez, com base na passagem acima, reclamam a possessão perpétua da terra de Canaã, o que inclui a atual Palestina.

Não há a mínima hipótese de se resolver definitivamente o problema de Israel com seus vizinhos árabes e muçulmanos sem passar pelo tratamento da questão acima referida.

Qualquer proposta que desconsidere as ramificações teológicas envolvidas será provisória e incompleta, e deixará espaço aberto para novos conflitos e discussões. O povo judeu aguardou por dois mil e quinhentos anos, aproximadamente, para retomar a autoridade política sobre a terra de Canaã, pelo que não será a ONU ou qualquer pensamento surgido no século XX que afastará a fundamentação multimilenar de sua vinculação ao referido território.

A alegação da preeminência de Ismael sobre Isaac, pela primogenitura do primeiro sobre o segundo, de sua vez, ignora outros relatos bíblicos em que houve a subversão desse princípio, quando o filho mais novo recebeu a bênção que seria devida ao mais velho, sendo exemplo claro o encontrado na narrativa sobre Esaú e Jacó, o último chamado Israel, pai de Judá, que deu origem ao povo Judeu.

Tal situação foi abordada claramente na nova Revelação:

Pois está escrito que Abraão teve dois filhos, um da serva e outro da livre. Mas o da serva nasceu segundo a carne; o da livre, em virtude da promessa. Isto foi dito em alegoria. Elas, com efeito, são as duas alianças; uma, a do monte Sinai, gerando para a escravidão: é Agar (porque o Sinai está na Arábia), e ela corresponde à Jerusalém de agora, que de fato é escrava com seus filhos. Mas a Jerusalém do alto é livre e esta é a nossa mãe, segundo está escrito: Alegra-te, estéril, que não davas à luz! Põe-te a gritar de alegria, tu que não conheceste as dores do parto, porque mais numerosos são os filhos da abandonada do que os daquela que tem marido. Ora, vós, irmãos, como Isaac, sois filhos da promessa. Mas como então o nascido segundo a carne perseguia o nascido segundo o espírito, assim também agora” (Gl 4, 22-29).

A interpretação óbvia e atual da passagem acima coloca tanto árabes como judeus na situação de escravos, a Jerusalém de agora é escrava com seus filhos que disputam suas terras, que inclui judeus, muçulmanos e palestinos, incluídos alguns denominados cristãos.

A Jerusalém do alto, por sua vez, já é governada por Jesus, o Messias, o filho da promessa, o filho da Humanidade, por meio de quem todas as nações da terra são abençoadas. O povo judeu é uma nação, e espera o Messias para que a promessa alcance muitas nações, o qual, todavia, já veio, Jesus de Nazaré, após o qual surgiram os muçulmanos, e, então, uma multidão de nações reclama Abraão como patriarca, o que, infelizmente, muitos cristãos ignoram.

Juro por mim mesmo, palavra de Iahweh: porque me fizeste isso, porque não me recusaste teu filho, teu único, eu te cumularei de bênçãos, eu te darei uma posteridade tão numerosa quanto as estrelas do céu e quanto a areia que está na praia do mar, e tua posteridade conquistará a porta de seus inimigos. Por tua posteridade serão abençoadas todas as nações da terra, porque tu me obedeceste” (Gn 22, 16-18).

O Messias, pelo qual todas as nações da terra são abençoadas, contudo, não é aceito pelo povo judeu e não foi compreendido pelos muçulmanos, à medida que desprezam as primeiras revelações do Livro.

O Alcorão exige que seja interpretado conforme a Torá e o Evangelho:

Se estiveres em dúvida sobre o que te revelamos, consulta os que têm o Livro desde antes de ti. Teu Senhor te revelou a verdade. Não seja um dos que duvidam” (Sura 10, 94); “E, em religião, quem é melhor do que aquele que se submete a Deus, faz o bem e segue a crença, monoteísta, de Abraão? Deus elegeu Abraão por amigo” (Sura 4, 125).

Acreditareis, acaso, numa parte do Livro e renegareis a outra? Se o fizerdes, vosso castigo será a vergonha neste mundo e o suplício no dia da Ressurreição. Deus está atento ao que fazeis” (Sura 2: 85).

Cada religião se apega excessivamente a seu Mensageiro, os judeus a Moisés, os cristãos à imagem que fizeram de Jesus, que foi igualado ao próprio Criador, e os muçulmanos a Maomé, um homem imperfeito, ao contrário de Jesus.

Muhamad não é senão um Mensageiro. Outros mensageiros vieram antes dele” (Sura 3: 144).

E Nós lhe enviamos Nosso espírito sob a forma de um homem perfeito” (Sura 19:17). Este homem perfeito é o filho de Maria, Jesus. “E aquela que protegeu sua virgindade, e Nós sopramos nela de Nosso espírito e dela e de seu filho Jesus fizemos um sinal para os mundos” (Sura 21: 91).

Evidente que há uma superioridade de Jesus, o homem perfeito que recebeu o Espírito de Deus, sobre Maomé, o que vale igualmente para a questão profética. É interpretação simples e direta das Escrituras.

Contudo, “Deus encerrou todos na desobediência para a todos fazer misericórdia” (Rm 11, 32), judeus e gregos, na época de Paulo, e cristãos e muçulmanos, hoje. São todos desobedientes, acreditando em parte do Livro e renegado a outra.

Ó vós que credes, não interrogueis acerca de coisas que, se vos fossem reveladas, vos magoariam. Mas se perguntardes por elas quando o Alcorão estiver sendo revelado, ser-vos-ão expostas. E Deus vos perdoará. Deus é compassivo e clemente” (Sura 5: 101).

O que magoaria os crentes muçulmanos é o fato de que o islamismo é uma revelação para servos, a aliança da atual Jerusalém, que é escrava com seus filhos, incluídos os judeus, estes porque renegaram o Messias, e os cristãos, em certo sentido, pelo mesmo motivo, ignorando o que significa Jesus ser o Messias, o Rei de todas as nações, neste mundo, mesmo que também seja o sacerdote da ordem de Melquisedeque, atemporal, e, assim, superior a Abraão. Jesus é descendente de Abraão na carne, mas o antecede no espírito, o mais novo recebeu a bênção, tornando-se mais velho, superior, com efeitos retroativos.

Vede, pois, a grandeza deste homem, a quem Abraão, o patriarca, entregou o dízimo da melhor parte dos despojos. Ora, os filhos de Levi, chamados ao sacerdócio, devem, segundo a Lei, estabelecer o dízimo para o povo, isto é, para os seus irmãos, conquanto são descendentes de Abraão. Aquele, porém, embora não figure em suas genealogias, submeteu Abraão ao dízimo, e abençoou o portador das promessas! Ora, é fora de dúvida que o inferior é abençoado pelo superior.” (Hb 7, 4-7).

Não por acaso Jesus afirmou: “antes que Abraão existisse, eu sou” (Jo 8, 58); porque representa a aliança perpétua de Deus com Abraão, que remete à linhagem da mulher, que esmagou a cabeça da serpente, superando o pecado de Adão (Gn 3, 15), pelo que está acima tanto de Abraão como de Moisés, e de Maomé.

Em Jesus, a humanidade adquire a perfeição, sendo um sinal não apenas para o povo judeu ou árabe, e sim para os mundos.

A solução para conflito árabe-israelense, outrossim, entre Israel e Palestina, passa pela Teologia, pela concepção perfeita do Monoteísmo, por Jesus de Nazaré, o Messias, Rei de todas as nações, o Profeta, e sacerdote da ordem de Melquisedeque.

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